Subsolo

Disponibilidade: Brasil/Europa

A separação
Dos teus lábios que tocam o ar-fronteira dos meus
Da magra linha de ar que ambos inspiramos
Do frémito que ainda não é beijo
Da diluição dos nossos lábios
Da aguarela das nossas línguas
Do quadro que desenham os nossos corpos

 

 

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_sobre este livro

Entre o passado e o futuro, a existência vê-se, por vezes, suspensa, imobilizada. É-se atravessado pelo tempo que corre voraz e impiedoso, mas que, ainda assim, é suficientemente lento para que se espere pelo que há-de vir. É na tensão entre a revisitação melancólica do que não aconteceu e o desejo de que pudesse acontecer, que Beatriz desenha o presente inacabado, por natureza. Torna tangível o que é subterrâneo e procura a expressão máxima do ser, a exaltação, o êxtase, a pulsação, o corpo e a morte.
Sem subestimar o carácter ininteligível da matéria de que somos feitos, reconfiguram-se a linguagem e os significados, que aproximam a poesia da pele, para sentir e questionar o estremecer de se estar vivo e as suas flutuações. Percorremos sem pudor os universos vários do corpo, reflectindo sobre a potência da liberdade e do desejo, mas também sobre a aparente sentença e angústia de se ser algo, ainda antes de ser. Uma existência presa a significações que, impostas, tornam mais estreitas as margens do corpo. Deste conflito entre o mundo exterior e o de dentro, parece imprescindível ter o atrevimento de enfrentar e ser permeável ao abismo do ser, perscrutando os latentes lugares sombrios, obscuros, mas também sinceros. Ser-se vulnerável, perante a própria essência, na busca da nossa forma verdadeira e justa — que não é estanque, antes transitória —, para poder enfim olhar para fora e para o outro. Degustar o dissabor da desilusão, aceitar a tristeza e a revolta como traduções do viver e não temer a amargura ou o medo que se constroem no decorrer do tempo, mostra-se-nos indispensável. Entre o desenho do quotidiano e da consciência, o fulgor revela-se nas pequenas coisas e a sublimação, tal como a noção de tempo, sugere-se efémera.
Num diálogo entre a esperança e a memória Subsolo emerge. A palavra torna-se matéria-prima, plástica, para traduzir os contornos do invisível e mudo que habita sob a pele — esse lado oculto do ser que se manifesta misteriosamente. Talvez o consolo possa advir do encontro insaciável com esse nosso lado por conhecer.

Teresa Moreira

_outras informações

isbn: 978-85-7105-201-7
revisão: e. a. meneghin
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5 cm
páginas: 96 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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