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Nem toda arte sustenta uma queda

Disponibilidade: Brasil/Europa

lutar por todas as marias
que sentem
o corpo pegar fogo
com outras marias

(lembrete, página 19)

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O preço original era: R$55,00.O preço atual é: R$49,50.

_sobre este livro

Nem toda arte sustenta uma queda é o primeiro livro de poemas da artista visual Jaqueline Arashida. Se a sua obra já nos mostrava um sentir muito particular, uma sensibilidade às formas, aos limites, ao estar entre mundos, a sua definitiva entrada no universo da linguagem reforça este fazer.
Um dos principais aspectos que nos agarra na leitura é a dimensão do corpo. O corpo e a língua estão presentes como realidades concretas e ao mesmo tempo abstratas, nessa dança entra o sexo, a sensualidade, a identidade e o desencontro com o outro e com o sagrado. Toda a poesia de Jaque interroga esse lugar, desfaz o sagrado pelas palavras e depois desfaz as palavras num gesto único, que deixa como sagrado o seguir sentindo, o viver, o fazer-se com. Talvez por isso se escreva sobre a queda, esse lugar do desequilíbrio. A capacidade de captar o mundo em uma imagem deixa-nos por vezes sem fôlego: “solta como folha que nasce, por descuido, no cimento”, uma delicadeza que remete ao presente, à origem, ao incontornável, e arrisca um sentido.
Muitos poemas visam o lugar do “estrangeiro”, o emigrante: “as palavras soltas nos muros me engolem.” Estrangeiro, psicanaliticamente falando, é este lugar do estranhar-se, e esse é o lugar da poeta, da artista, da analisanda. Posição incómoda por momentos, é certo, mas cheia de possibilidades, basta ver como se desdobra a frase “Quem você pensa que é” até ela perder o sentido. Quem desaparece é o outro que fez mal, que abandona, que deixa a pergunta. Desaparece até a frase. E resta só quem fala.
Não retroceder ante as palavras é também ocupar o sentir, é estar frente a frente com este outro com que por momentos se conversa, em outros momentos se escuta. Talvez este seja um dos aspectos mais potentes do livro: ao fazer este uso tão peculiar do discurso (direto, indireto, indireto livre), atravessamos a leitura com tantos outros, não necessariamente comunicando: “e descobrindo que um mundo tão mas tão mesquinho/também cultiva as arrudas nos versos/sustenta”.
É importante mencionar ainda a palavra Mulher, presente neste livro em tantos desdobramentos. Deslizando do conjunto para o particular, Jaque constrói também a possibilidade de uma identidade única (“e, por mero deslize ou poesia, aprendi a trovejar”) e de grupo, como no poema “lembrete”.
Nem toda arte sustenta uma queda narra um devir poeta. Ocupar o espaço das palavras, das letras, deslizar nos sentidos e nas formas, criando para o poema um limite para circular à volta dele, em cada leitura, empurrando para mais longe o que ele não diz.

Raquel Laranjeira Pais

_outras informações

ISBN: 978-989-9348-26-4
revisão: Juliana Palermo
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5 cm
páginas: 68 páginas
papel offset ahuesado 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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