Metástases solares

Disponibilidade: Brasil

Poética cancerígena ou uma biópsia psicocósmica? Metástases solares reúne poemas escritos ao longo de quinze anos, período que abrange um sinuoso itinerário espiritual, marcado por reviravoltas existenciais e, portanto, pelo processo de transformação do poeta e de sua própria poética. Fugindo à ordem cronológica, os poemas estão divididos em três seções: “Desvãos”, “Desvios”, “Deságios”. Essa estrutura organiza a série de errâncias temáticas numa lógica de convergência de mundo e subjetividade à sina de um desastre ecopoético comum, pelo qual as distopias da atualidade se fundem às angústias da imaginação.

R$52,00

_sobre este livro

Metástase: o que muda de lugar, um contínuo deslocamento. Aqui, o singular não dá conta — as mudanças são tantas e tão profundas que se anunciam no plural. A obra Metástases solares, de Irlim Corrêa Lima Jr., faz o leitor acompanhar o borbulhar de células de um verso a outro formando três capítulos que, no fim das contas, se mesclam e prolongam raízes.

No capítulo “Desvãos”, o poema que abre o livro convoca uma imagem solar, com o olhar da infância que precisa experimentar e se deslocar pela casa — e por si mesma — testando o que é o mundo e tomando decisões: “e já crescer é escolher/ ser ilha ou restinga”. O sol apresentado nos primeiros versos se desconfigura e somos convidados a assistir ao espalhamento de sombras, que, ao longo da obra, pode ser expressão sinônima disso a que chamamos viver. Cenas do universo infantil aparecem em diferentes momentos: pular amarelinha, desenhar, cortar, colar, inventar palavras… Todas distribuídas em imagens feitas para nos desconcertarem, e nos conduzindo a versos como “Qual a porcentagem de feto resta comigo?”. Aqui o que há é carne e uma não beleza de sermos algo “nem nascido nem abortado”.

No capítulo “Desvios”, somos mais direcionados ao lado externo da criança-casa. A manualidade, os toques, as experiências primeiras aparecem agora como simulação e tentativa mais profunda de entender o lidar com o outro. Encaramos esboço, rabisco, tentativa de ser — “(…) Existo/ como entressafra, rascunho a pele” — enquanto olhamos tudo o que é diferente de si mesmo seja pelo mundo carnal ou virtual: “Se o metrô não faltasse… mas e trem?/ Muvuca, comércio, gritaria, ali o corpo/ Existe demais. Oxigênio das telas/ Some com a atmosfera da carne”. Os desvios não se fazem por caminhos fantásticos, mas pelos buracos do cotidiano em que o indivíduo, ao cair, tenta se situar, descobrindo-se sempre como areia em ampulheta que gira sem parar.

Essas fendas compõem a última parte do livro, “Deságios”. Talvez a perda de valor percebida/vivida pela criança dos versos esteja atrelada às redes. Se antes, rede era aconchego de casa e mais um item de pertencimento ao espaço, hoje é “dispersão/ O crânio grudado na tela”. As telas e tudo a que chamamos “sistema” se amalgamam à pessoa e nos fazem perguntar, talvez ainda curiosas como quando crianças, o que é ser humano? Ao fim do livro e em deslocamento que não cessa, resta a pergunta: “Era eu um trajeto. Hospital, igreja, banco./ E a casa desacoplando do umbigo,/ Pra onde foram as pessoas?”.

Marcella Lima

Escritora e professora de História. Publica textos no Substack pela página Autorizada

_outras informações

isbn: 978-85-7105-516-2
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14x19,5cm
páginas: 92 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

Carrinho

Cart is empty

Subtotal
R$0.00
0