1, 2, 3, testando…
1, 2, 3, testando…
Silêncio! Prestem atenção, a Monga vai falar!
Ouçam – não, melhor dizendo: leiam o que a Monga escreveu. Manual de amar mongas ou Brevidade para dengos monstruosos, de padmateo, faz uso dessa figura tão múltipla, híbrida, monstruosa e expansiva para escrever um livro com uma voz única. Uma obra que dialoga com o que há de mais contemporâneo: borrar fronteiras entre gêneros. Um manual, um livro de poemas e uma coletânea de contos… Tudo ao mesmo tempo. Monstruosidade.
Monga surge para abalar os alicerces, questionar o civilizado e observar a vista das grandes metrópoles do ponto mais alto da cidade – tudo isso antes da queda. Transgressora. padmateo cria uma obra marcada por experimentações estéticas e performáticas, dividida em duas partes e aberta por um preâmbulo híbrido entre conto, ensaio e lista, situado justamente no ponto mais alto do ponto mais alto que conhecemos.
Inicialmente, Monga fala sobre a vida na cidade, revisita as outras Mongas da sua família e suas amigas igualmente monstruosas. Mistura prosa e poesia para descrever as especificidades e diluição de uma moral civilizatória, com toques de humor, violência, erotismo e gozo. Afinal, fica a questão: quando a Monga fala, sobre o que ela fala?
“Ele quis saber o que eu tinha no meio das pernas.
Eu disse: o BRICS.”
Posteriormente, com suas “Notinhas”, o leitor encontra um misto de amor, ódio e tudo aquilo que existe no meio. É nesse espaço que a Monga se constrói como monstruosidade de seu tempo e também para além dele tempo: humanamente monstra, aforística e mordaz. Recortando, questionando e rindo da cara de todos aqueles que só enxergam o lado negativo de ser monstro.
Mais do que notas, o leitor encontra mantras, mandingas, mensagens diárias, oráculos e poesia. padmateo nina o leitor, coloca-o em seu colo peludo e sussurra no ouvido: “eu tenho coragem de você”. E, assim, encaramos a face monstra, sorrimos empoderados e seguimos lendo.
Douglas Sacramento
Professor, pesquisador e crítico literário
Salvador, 2026