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Inventário de menores – contos

Disponibilidade: Brasil/Europa

E o mês de setembro era decerto o que mais eu aproveitava. Não é que os demais não fossem deliciosos. Mas não possuíam aquela calma, aquela penumbra já a anunciar a queda das doiradas folhas das árvores no mês seguinte. Um anúncio que só por si era uma latência confortante.
Até setembro, era a praia. Como que em preparação, a minha avó, sobretudo, a que vivia connosco (ou melhor: nós vivíamos com ela, porque ela era a grande matriarca — uma matriarca moderna, mas ainda assim…), pegava em mim e nos meus irmãos e levava-nos no seu rubro Citroën Dyane (apinhado) para a praia do Homem do Leme ou do Molhe, ou ainda Emília Barbosa, ou principalmente Allen, ali na Foz. Dependia dos anos e das vagas nas barracas que arrendava, embora (sobranceiros então ao rigor do léxico jurídico) sempre disséssemos “alugava”. Nem era longe de casa. Mas ela não tinha assim tantos pretextos para conduzir. E gostava. Como aliás de fumar e de usar calças compridas, por vezes mesmo com botas à cavaleira. Era uma mulher emancipada. Alguns seriam levados a dizer “para o tempo”. Mas tudo é localizado num tempo, e fazer confusões e décalages cronológicas só cria descompassos. Eu não acrescentaria nada a essa consideração. Emancipada. Ponto.
(Pecado original, página 18)

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_sobre este livro

Os relatos de Paulo Cunha neste livro são um desafio à ideia tradicional de incapacidade das crianças e um elogio à sua inteligência e sensibilidade. Merece ser lido!
Maria Clara Sottomayor

Este livro realiza, de modo saboroso e brilhante, o ideal da melhor literatura: a genial concretude de detalhes desses contos, com a viveza e a verdade de seus personagens, tem o poder de contagiar o leitor e despertar nele o tesouro de suas próprias lembranças: de infância e juventude — vividas em outro tempo e lugar, distinto contexto familiar etc., mas afinal: De te fabula narratur… Não nos ensina nada de novo, mas nos brinda o que importa: a memória de nosso passado, a raiz de nossa identidade.
Jean Lauand

Tinha razão Montesquieu ao recomendar um par de horas de leitura para dominar os males da mente, do espírito e até do coração. Ao lermos o Inventário de menores de Paulo Ferreira da Cunha, podemos confirmar a justeza deste conselho e desta afirmação. De facto, ao tomar contacto com memórias próximas ou distantes, compreendemos a força da palavra, do livro e da leitura. Através deles podemos conviver ao mesmo tempo com quem está próximo de nós e com quem estando longe no tempo torna-se extremamente próximo. A memória permite contarmos com o testemunho da eternidade. E a palavra escrita permite reunirmos num mesmo tempo gerações distantes que se tornam próximas. Como disse Umberto Eco, quem não lê vive apenas a fugacidade do momento, enquanto quem lê pode viver o tempo longo das civilizações que chegam até nós, nas suas diferenças e complementaridades. Quem canta seus males espanta? Mais do que isso! Quem lê revive tempos e vidas que nos levam a aprender a sermos melhores, porque somos pessoas que dialogam e se completam, ao longo dos tempos.
Guilherme d’Oliveira Martins

Façamos o “inventário” das nossas menoridades. A aleturgia do conto é uma forma de dizer a verdade de si aberta à verdade do outro. A hetero-autoveridicção dos dez contos não tem fronteira. Neste livro não está escrito “fim”, “conclusão”. A obra funciona como estímulo ambíguo que provoca e acolhe as projeções imaginárias e experienciais dos leitores. Que haja mais 10, 100, 1000… “inventários de menores” para que possamos dizer com Terêncio “homo sum et nihil humani a me alienum puto”. Sou homem e nada do que é humano me é estranho.
Cândido da Agra

Dez Contos. Em cada um, um “menor” no papel de personagem principal. Cada qual com seu nome. (…)
À medida que lemos, o ritmo da escrita e o encanto sentido na leitura fazem-nos passar, quase de corrida, de conto para conto e, pouco a pouco, aqueles nomes vão-se diluindo e, em vez deles, desenha-se apenas um outro, sempre do mesmo menino. E apetece-nos pedir-lhe que nos deixe usá-lo, também por nós. E apetece-nos aplaudi-lo, com o gozo próprio do aplauso. E apetece-nos, por fim, chamar por ele, assim:
— Paulo!
Álvaro Laborinho Lúcio

_outras informações

isbn: 978-65-5900-950-3
revisão: Victor Negri
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14x19,5 cm
páginas: 206 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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