Guaxupé

Disponibilidade: Brasil

Josélia morreu mês passado e ainda não sei o que fazer com tudo que ela deixou para mim: um apartamento de frente para o mar, estantes repletas de livros, dois gatos, um carro dos anos 80 caindo aos pedaços, sua coleção de relógios de pulso e relatos da sua — da nossa — vida, escritos em inúmeros diários guardados numa caixa onde se lê “conte essa história por mim”.

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_sobre este livro

Conte esta história por mim

José é o protagonista de uma travessia emocionante, trilhada em direção ao direito de viver e ser feliz. Ele é também o irmão de Josélia, a “garotinha que não queria filhos por medo de morrer partida ao meio”, temor que se origina no inconsciente, na intuição de que, durante um nascimento, algo se parte, na premonição de que, para muitas mães, o início pode — não raro — significar o fim. E leva Zelinha a perguntar: “O que é morrer de parto, Zé? […] Ela partiu no meio e só sobrou o bebê dentro dela?”

Responder a essa indagação infantil é somente um dos desafios no percurso de José, que, na “terra dos Farinhas” ou fora dela, tem sua existência polvilhada de reviravoltas e todas lhe exigem coragem.

O texto do romance nas mãos de quem o lê é o relato sobre uma família despedaçada e os seus remendos a costurar um todo “ligado não apenas pelos laços de sangue, mas, sobretudo, unido pelo amor […]”. Um enredo comovente, marcado pela honestidade das personagens que o perpassam, pela crueza do sofrimento a elas imposto, pela violência de um pai e pela brutalidade das cruzes de “Ja, Je, Ji e Ju, porque ela era a Jo”, a única sobrevivente da punição pelo crime de ter nascido mulher.

Principalmente, é a saga enfrentada por aqueles que amam e dão lições de perdão e de generosidade: “Minha filha, sabe por que eu deixei o Zé ir sem fazer escândalo? Porque entendi que assim seríamos só dois a sofrer. Antes éramos quatro. Eu, que amava ele sabendo que ele amava a Gabi. O marido da Gabi, que amava ela sabendo que ela amava o José. E o José e a Gabi, que se amavam e não estavam juntos. Eu deixei seu avô partir porque ninguém é dono de ninguém. Depois que eu entendi isso, ficamos só dois infelizes.”

Nos encontros e desencontros com que a autora tece a trama, somos conduzidos por uma voz narrativa em reconhecimento de sua identidade mediante a revelação do passado. Seguimos adiante, nas viradas de página, para descobrir o antes e perceber que “o pior de se ficar velho não era olhar para frente e ver que se tinha pouco tempo de vida, mas sim olhar para trás e ver que não se tinha vivido”.

Em Guaxupé, Erica Terra escreve com o pulso firme dos que têm muito a dizer. Faz isso com precisão, movida à sensibilidade de quem respeita as dores alheias — e as próprias —, acolhendo os dramas humanos. E vai além. Conta esta história não só por ela, mas por todos nós.

Marília Lovatel

_outras informações

isbn: 978-85-7105-360-1
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 112 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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