como se centopeias se escondessem dentro dela,
ruído apodrecido desliza
em seu extremo vago —
andar de baixo.
a porta aberta —
como se um lago se avolumasse dentro dela,
pequeno cardume ultrapassa
seu escuro vago —
andar de baixo.
a porta aberta —
como se um candelabro se acendesse dentro dela,
chama de cera cruza
seu fundo vago —
andar de baixo.
R$54,00
_sobre este livro
Fios nasceu do hábito de reparar no que passa — e que, quase sempre, passa sem ser visto. Ao longo de dias comuns, fui recolhendo pequenas cenas: o vento tocando as nuvens, roupas no varal, uma lagarta no fundo de um copo, o chuvisco insistente na calha, crianças no intervalo da escola, uma praça depois da chuva, um gato envelhecendo em silêncio. Esses poemas não contemplam grandes acontecimentos. São cenas simples, quase sempre breves, que se aproximam do mínimo: gestos, sons, objetos, sensações, fragmentos de paisagem, movimentos quase imperceptíveis do cotidiano.
Cada poema é um desses instantes capturados antes de desaparecer.
Chamei o livro de Fios porque, aos poucos, percebi que essas imagens se ligavam entre si, como linhas invisíveis atravessando os dias. Fios de tempo, de memória, de silêncio, de vento, de chuva, de ruas e casas, fios também entre as pessoas. Cada poema é um ponto dessa trama. Se algo permanecer depois da leitura, talvez seja apenas isto: a tentativa de segurar, por um instante, aquilo que já está passando e que, ainda assim, continua.
Elizandra Sabino
_outras informações
isbn: 978-85-7105-491-2
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14x19,5cm
páginas: 136 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª