gosto do mar
porque somos mais peixes
que humanos
mais bichos sedentos
com dentes olhos bocas guelras
para respirar o mundo
R$52,00
_sobre este livro
A face espantosa do mar sobrenada estes Desaguamentos de Helena Arruda. Neles permanece inesquecível o terror daquela guerra mundial que o relógio do tempo terminou em 1945, mesmo ano de publicação de Marabsoluto, de Cecília Meireles, mas a clepsidra dos poemas deste livro de Helena, oitenta anos depois, ousa anunciar sua continuidade em cada grão de areia que cai. É a besta do nazifascismo sempre pronta a atacar. Atravessando esse conluio dos tempos e espaços bélicos, a poesia lida com aquilo que, aparentemente esquecido, retorna sempre vigoroso. Náufragos que somos, a poesia de Helena Arruda lembra-nos que a dispneia é diuturna. Ainda assim, a busca pela palavra poética é incessante, reforça a poeta em cada página deste livro. A poesia se faz no curso das águas, que nunca são, heraclitamente, as mesmas.
Faz-se também nas ondas tempestuosas do mar, que discursam ávidas. Faz-se no lugar do outro que não conhecemos, no sentimento de exílio que não nos pertence, na morte que não vemos, no choro da mãe que grita por cada criança morta, no tempo que se repete no eterno ainda-é. Não há conforto nestes poemas que deságuam. Só a terrível angústia pelos que lavam as mãos. Ainda assim, escreve Helena, “sigo as águas à procura da ave rara que leva no bico a palavra”. Ainda assim.
Anélia Montechiari Pietrani
_outras informações
isbn: 978-85-7105-278-9
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 100 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª