Cardume

Disponibilidade: Brasil

ferva o corpo
para separar
da pele os ossos

venha preencher
com fios de ouro
as fraturas todas

de infância
das quedas
e também

das outras partes
que continuam a abrir
enquanto a vida cresce

R$54,00

_sobre este livro

No rio de Heráclito

eu peixe único, eu peixe separado

(ao menos do peixe árvore e do peixe pedra)

escrevo, em momentos isolados, pequenos peixes

de escamas tão fugazmente prateadas

que talvez a escuridão pisque de embaraço

 

— trecho de “No rio de Heráclito”, de Wisława Szymborska

 

A prodigiosa poeta polonesa já apontou que somos todos peixes habitando um vasto planeta-peixe. Se é verdade que nunca nos banhamos duas vezes nas mesmas águas, ainda assim somos parte de um grande cardume tentando perseguir a ilusão de um fluxo no tempo.

Gosto de pensar que é assim que nascem os poetas e escritores que, de tanto nadar e circular por essas correntezas, logram encontrar o ritmo e as palavras certas que levam nossos sentidos a viajarem pelo espaço-tempo.

É nessa brilhante qualidade de peixe único que Guilherme Amorim nos apresenta em seu segundo livro uma nova constelação de palavras. Nos registros de suas memórias somos atravessados por contos de amor, de solidão, de família, arquipélagos do corpo e cartografias da natureza, além de lembranças dedicadas a outras obras e diversos artistas que participam do precioso murmúrio de afetos do poeta.

Na dança caleidoscópica de suas cadências, Cardume revela a proeza de M.C. Escher e os mestres ilusionistas ao transformar escamas-espelhos na iridescência de pássaros em revoada. Assim são os movimentos de seus versos, com sua capacidade de expansão e dispersão que criam formas e mosaicos em constante mudança. Como um bando de estorninhos mergulhando em pleno azul.

Estes poemas são travessias, pontes a mundos de devaneios aos quais pertencem as sementes e raízes, luzes e reflexos de mares e montanhas, mitologias tão íntimas e tão universais quanto a nostalgia da infância. Talvez esse seja, no fim, um tratado sobre a saudade, sentimento oceânico comum a todos nós, peixes voadores, que entre nado e voo, podemos nos recostar flutuando à deriva contemplativa da arte das palavras.

marcela moretto

_outras informações

isbn: 978-85-7105-364-9
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 136 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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