Cadernos e artérias

Disponibilidade: Brasil

Neste romance, nós acompanhamos a vida de personagens distintos unidos de modo arbitrário por um lugar potencialmente assombroso: a escola de ensino fundamental que são obrigados a frequentar diariamente. Embora todos tenham suas angústias particulares, além de alguns sonhos tolos e necessidades de sobrevivência, há algo a mais que os une ali dentro, numa espécie incompreensível de desespero: a sensação perversa, cotidiana e sem solução de que ali, a qualquer momento, vai acontecer uma grande tragédia.

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_sobre este livro

Em Cadernos e artérias, Nicole Oliveira nos oferece um pesadelo: atravessar o cotidiano de uma escola pública, entre abril e junho, quando professores e alunos ensaiam as quadrilhas. Logo, nossa sensibilidade aflora: sobre o território escolar, todos temos algo a dizer e fantasmas a lembrar. As salas abafadas, os corredores onde ecoam gritos e risadas, as relações que nos deixam marcas para sempre. É nesse edifício atravessado por sirenes, câmeras de vigilância e pátios onde a vida insiste em se arrastar, suada como é, que Nicole nos conduz com sua escrita mordaz, capaz de traçar conexões entre a banalidade e o extraordinário. Nada é garantido; tudo anuncia perigo. Os sinais se acumulam: um rabo oculto de aluno, fantasmas que se revelam aos olhos do vigia, o cansaço de uma professora, frases rabiscadas no banheiro feminino. Como em toda tragédia, vivos e mortos se confundem, erros do passado e presságios do futuro se entrelaçam, até desembocar no coração burocrático da instituição: a sala do diretor. Nicole expõe o embate entre o medíocre e o maravilhoso, entre o terror e a compaixão, dando corpo a uma experiência compartilhada por quem já habitou, ou foi habitado, pela escola. A autora compõe uma dramática do espaço escolar feita de vozes que se interrompem, de aulas sobre fascismo arruinadas pelo bullying e de reuniões pedagógicas transformadas em debates absurdos. Professores e alunos, gestores, vigias, todos se encontram embaralhados em suas posições: quem educa quem? Quem é mais imaturo, mais vulnerável, mais imprevisível? Enquanto todos se perdem nessa confusão de urgências, o perigo segue à espreita. As câmeras não ajudam a ver nada e, mesmo que funcionassem, de que adiantaria? Ainda assim, entre artérias, cadernos e fantasmas, irrompe um humor absurdo, uma maravilha insistente. Depois de Tarô (Urutau), Pequenas catástrofes (Alameda) e das peças Mantenha fora do alcance de crianças & Stereo Franz: dois estudos trágicos (Giostri), Nicole reafirma sua condição de escritora que investiga formas literárias a partir da fricção entre o banal e o trágico. Com Cadernos e artérias, oferece a professores, alunos e leitores uma pequena maravilha que convoca nossa memória mais sensível: todos já passamos por essa escola, todos já ouvimos seus ruídos, todos já sufocamos diante de sua falta de ar. E, ao contrário dos vídeos edificantes da humanidade sorrindo ao som de “Trem-bala”, aqui a escola revela suas artérias: uma corrente pulsante de sujeira, barulho, bagunça e confusão onde não há, e nunca houve, garantia de nada.

Luiz Pimentel

escritor e doutor em Educação pela USP

_outras informações

isbn: 978-85-7105-345-8
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14x19,5cm
páginas: 216 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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