Neste romance de estreia na ficção longa, Carla Coelho Branco constrói uma narrativa hipnótica sobre os prazeres secretos que nos definem. Ao passear por corredores hospitalares, a protagonista descobre mais sobre si do que sobre os doentes que visita. Com prosa depurada e um olhar cirúrgico sobre a duplicidade quotidiana, o livro confronta o leitor com a pergunta incómoda: quantas vidas vivemos, afinal, para além da que os outros imaginam?
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_sobre este livro
A ciência é incerta sobre o que ocorre na mente daqueles que estão em estado de coma. Mas a arte não se inibe em fintar o incerto. Criar é fazer existir. E é essa a audácia da escrita de Branco de Carla Coelho: uma promenade hospitalar e psicológica através do olhar de uma mulher, tradutora de ofício, que, diante do insondável, imagina. A cor do título ecoa no espaço físico onde ocorre a acção, um hospital privado com paredes e corredores brancos, e repousa na palidez dos rostos e corpos comatosos. Mas convoca, antes que tudo, o lugar primordial da criação: a folha em branco. O branco é o campo infinito onde podemos encontrar as (nossas) vidas por imaginar. A autora sabe-o e leva-nos para esse exercício.
Os elementos formais do livro são-nos entregues sem rodeios e emancipam-nos na leitura. Há um contrato íntimo com o leitor, que, sabendo a priori qual o artefacto do romance, colabora com a autora a imaginar as vidas daqueles que a protagonista começa a visitar de forma regular e oculta. Mas, ao contrário dos conflitos internos que esta mulher, tradutora, mãe de família e, ao fim e ao cabo, criadora, tem com a antiética da mentira, o exercício de suposição permite ao leitor entrar em contacto com a sua própria arte da imaginação. É neste pas-de-deux imaginário, entre autora e leitor, que laços afectivos se vão criando com R. e A., personagens entregues a um lado impenetrável da vida.
Neste novo livro de Carla Coelho, flores nascem entre pedras de jardim, mesmo quando nos quartos do hospital morre gente. Os mais delicados sinais de vida são apontados como uma fresta de esperança, sem com isso nos lançar para transcendências gratuitas. A escrita de Branco flui como quem improvisa a vida em tempo real. E, se a morte é uma sombra incessante que nos ameaça com um fim à vista, este livro prova o contrário, a certeza de que a imaginação será sempre o início de tudo.
Cláudia Varejão
_outras informações
isbn: 978-989-9348-08-0
revisão: Victor Negri
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14x19,5 cm
páginas: 90 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª