As águas passadas não passaram

Disponibilidade: Brasil

No Brasil conservador,
terrivelmente cristão,
tem pastor q’usa peruca
e calcinha bem curtinha,
diz que é investigação

R$42,00

_sobre este livro

A primeira vez que li um poema de Vitor Motta me emocionei fortemente. Vi-me representado novamente na Poesia como me vi em Brecht, Neruda e Buarque, ali estava o amor pela palavra, pela técnica poética, mas também estava a força de uma poesia que não se esconde em uma retórica falsamente romântica. A Poesia do Vitor, com P maiúsculo, escancara a necessidade de refletirmos através da arte, de nos olharmos em um espelho disforme e percebermos que essa imensa casa de espelhos que é o Brasil (e o mundo) não nos reflete na forma absoluta, retrata ali muitas complexidades da nossa sociedade, que é racista, xenófoba, homofóbica, machista, chauvinista, mas também pode ser amorosa, solidária, atenta e forte (como diria Caetano).

E neste novo trabalho, o Vitor leva essa força da crítica social ao ponto máximo, toca em feridas que precisam ser curadas, mas que não podem ser anistiadas, senão, cedo ou tarde, voltarão a abrir e poderão mortificar mais uma vez este corpo social tão complexo, contraditório e disforme que é sociedade brasileira.

Metaforizando sobre estas desilustres figuras, o poeta joga em nossas retinas o preto no branco da realidade política brasileira dos últimos tempos. Faz uma linha melódica da nossa desgraça governativa, mostrando o tamanho da desqualificação daqueles que pretendem nos liderar, mas que, ao fim e ao cabo, só visam suas próprias demandas pessoais. Poeticamente relata como é que esse canto da sereia convenceu “homens sem bens” a proteger, eleger, defender e financiar “homens de bens”. Não há apaziguamento possível na poesia do Vitor, há a força da vitória da democracia sobre os fascistas golpistas.

O que lerás a seguir são poesias com força técnica e criativa, que te farão refletir sobre nossas próprias contradições e condições humanas. Te farão pensar, te entristecerão, te causarão náuseas e te farão rir. Mas é este o papel da arte: causar vibrações e sentimentos, deixar o leitor ou espectador desconfortável com seus privilégios, pautar temas que os incautos acham que devem ser esquecidos e, por fim, divertir. Logo, o que lerá neste livro é pura arte em forma de poesia.

Leonardo Bruno da Silva

Historiador e escritor

_outras informações

isbn: 978-65-6035-052-6
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 32 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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