Este livro não se lê — se sente.
Você tem em mãos um livro escrito com corpo, suor e memória.
As páginas cheiram a pele e pulsam como carne viva.
O pudor não encontra espaço
onde a essência grita faminta.
Somos desejo,
desejantes,
desejados —
e a palavra é saliva.
Quando tudo é febre
e a pele quente exige presença,
o único caminho a percorrer
é o do encontro.
Aqui, entre lençóis desarrumados,
línguas emaranhadas
e vidros embaçados,
Gre Nardim não esconde a verdade,
nem a saudade que dói,
nem a vontade que mata.
Tudo às claras,
assim como é o desejo
entre quatro paredes.
Aqui não cabe medo
de se revelar por inteiro,
nem de se descobrir partido.
Sabemos que, entre veneno e antídoto,
a diferença está na dose —
e a dose que você precisa,
apenas você será capaz de descobrir.
A única certeza
é que a porta está sempre aberta,
como bem disse a autora:
“Volta.
Nem que seja
para rasurar
meu texto
ou tentar me corrigir!”
Bárbara Marca, @babiemversos