Contos sobre trauma, identidade, invisibilidade, violência e resiliência que atravessam as peles ancestrais de mulheres. Peles que se sobrepõem para proteger, para esconder, para expor a vida de manequins manipulados por jaulas internas e por relações de poder, que encarceram.
A autora, nesta coletânea, dá voz a mulheres sem rosto, que percorrem trilhos densos, tentando tratar a gordura visceral em excesso ou a sua ausência, de forma a manter a funcionalidade dos órgãos vitais e a encontrarem o seu reflexo.
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Lembras-te de quando nem pensavas nas tuas peles? Provavelmente, não. Elas sempre fizeram questão de te lembrar que estavam ali.
Nunca as imaginaste apenas como uma barreira entre o mundo e os teus órgãos.
Lembras-te de a tua mãe ter uma pele por dentro igual à de fora? Acreditavas porque vias. Era irregular, com nódoas negras que apareciam e desapareciam para outras tomarem-lhe o lugar.
Deslizavas os dedos pelas nervuras das suas feridas, como se assim pudesses entender as que te nasciam por dentro.
(…)
(A vida das peles, página 15)
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