A marcha da pátria alheia

Disponibilidade: Brasil

Vamos na marcha da pátria alheia,
o maior reduto entreguista,
ocupado por tanta gente feia
que só quer defender golpista.

Vamos na marcha da pátria alheia,
ocupar uma rua, uma pista,
salvar criminosos da cadeia,
inventar ameaça comunista.

Vamos na marcha da pátria alheia,
nada sobre o Brasil à vista,
de bandeira gringa tá cheia,
e de fundamentalista.

R$48,00

_sobre este livro

Aqui estou, escrevendo as orelhas de um livro de poesias, apesar de acreditar, como diz o filósofo Slavoj Zizek, que “não há genocídio sem poesia”.
Um dos grandes atributos da poesia é uma espécie de sinceridade. O recurso da rima, que você lerá muito e muito bem utilizado por todo este livro, é um se jogar no escuro. Forçada, a rima enseja o riso; a mensagem sai infantilizada, como se escuta numa cantiga infantil. De outro lado, um esforço parnasiano com a rima soa datado, como um discurso empolado de um político do século passado. Aquele excesso que emite uma convicção tão exacerbada que não permite que seja questionada. Essa é a poesia dos genocidas.
Porém, é possível outro caminho: nem infantil, nem com a convicção exacerbada que não permite que floresça a crítica. Afinal, é esse se jogar que torna a poesia sincera em um mundo crescentemente cínico. Um cinismo violento, que nos cala, uma eterna cobrança de “você não deveria se importar tanto com nada”.
A cultura política atual é paranoica: vive na eterna dúvida a respeito das intenções de quem fala o que acredita. Quantas vezes não ouvimos alguma variação de “lá vem a arte militante, não ser arte nem militante, só ser um trampolim para o autor, que com certeza tem algum motivo escuso”.
Toda arte hoje é um conteúdo, e o maior medo do conteúdo é virar meme, ser picotado e replicado.
O que Rodrigo Ortiz Vinholo consegue fazer neste livro é poesia política, em uma época em que nossa política não está muito poética e nossa poesia não está lá muito potente. A marcha da pátria alheia consegue ser poesia política. É um livro repleto de ironia, sarcasmo e escárnio, risadas perante os falsos patrióticos patéticos que odeiam nosso povo, nossa república e nossa cultura.
Nesse sentido, é um livro que nasce meme. Parte das poesias precisa de pouco mais que um tamborim para se tornar uma marchinha de carnaval política clássica. Pílulas de risadas carregadas de desejo político.
Porém, este é um livro anti-memético. Ele não compartilha do cinismo do nosso tempo. Ao contrário da cultura de internet, Rodrigo usa da ironia para manter a sinceridade política da sua mensagem: precisamos derrotar esses canalhas, para afastar nosso atual pesadelo.

 

Caio Almendra

pesquisador

_outras informações

isbn: 978-65-6035-051-9
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 52 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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