O que você faria se alguém que te abandonou te deixasse responsável por organizar o que restou da vida dele? Para Marcela, a morte do pai, Álvaro Hoffmann, não trouxe o luto esperado, mas sim uma última ironia: ele, o engenheiro boêmio e ausente, a nomeou inventariante de seu espólio.
Entre doses calculadas de ansiolíticos para suportar a realidade e a burocracia sufocante de uma Salvador quente e caótica, Marcela mergulha na bagunça deixada pelo pai. O que deveria ser apenas um processo legal transforma-se em uma caça ao tesouro absurda, que vai de imóveis sem escritura a seguros de vida excêntricos, de dívidas bancárias a generosas concessões a estranhos, cada elemento póstumo revelando um aspecto da personalidade contraditória do inventariado.
Enquanto tenta equilibrar os pratos de sua própria vida desmoronada — um divórcio recente, uma relação tensa com a mãe e uma carreira burocrática no Detran —, Marcela é forçada a conviver com Miguel, o meio-irmão “perfeito” que ela sempre manteve à distância.
A inventariante é um romance sobre as heranças que não escolhemos e os afetos que redescobrimos. Com um humor ácido e uma honestidade cortante, Analu Leite nos conduz por uma jornada de autodescoberta, lembrando-nos de que, às vezes, é preciso revirar os documentos de um morto para finalmente começar a viver.