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O inferno, por gentileza

Disponibilidade: Brasil

Quando estamos diante do desconhecido, os piores monstros são os pensamentos: o ranger do bambuzal ao vento, entre estalos e apitos, ouriçam os pelos do corpo e atiçam a imaginação e o medo. O som dos passos de um pequeno sapo sobre as folhas secas parece vindo de um animal bem maior — chegam a lembrar o de passos humanos — que, junto ao som do bambu partindo-se, unem-se ao vento e se transformam num gigantesco Mapinguari — tão real e tão vivo, que até o seu terrível cheiro é possível sentir.

O medo revela o invisível e expõe suas múltiplas facetas. Não tem corpo, não tem forma… possui diferentes nomes. Por ora, é o fim da vida… mas pode ser o fim do mundo ou, tão somente, o findar da luz. Na mata, à noite, um ruído é o bastante — mesmo sabendo que o verdadeiro perigo vem em silêncio. Uma onça não solta um rugido de alerta antes de abater sua presa…

O livro está em pré-venda até 09/11/2026.

Os envios se darão em até 15 dias úteis após o fim da pré-venda.

O preço original era: R$68,00.O preço atual é: R$61,20.

_sobre este livro

Não o conheço, provável leitor, mas posso afirmar-lhe: você nunca leu um livro como este. Talvez já tenha lido livros melhores, mas iguais não.

Talvez já tenha lido alguns contos de terror, mas não o que aqui lhe espera em Horas mortas. Algo como um Lovecraft lírico, imerso em folclore pouco conhecido (ou melhor, pouco divulgado) e que aproveita de forma brilhante um viés típico do autor: seu talento como poeta e letrista.

Você também já pode ter lido A metamorfose (eu sei, a comparação é arrojada), mas O inferno, por gentileza, sem dever um pingo de absurdo, ultrapassa Kafka em algo muito curioso: a aceitação espirituosa por parte do personagem (tão diferente do melancolismo de Gregor Samsa) de sua condição burocrática (e mortal).

Talvez já tenha visitado a obra fantástica de Le Guin, e note reflexos em A cor da bandeira no planeta vermelho (embora o autor afirme desconhecê-la), mas a autora anarquista, ironicamente, carece do humor anárquico de Yussef, o que leva a narrativa de uma civilização hipotética a um nível de realismo que somente hoje, imersos como estamos no cinismo, somos capazes de refletir e apreciar.

Por fim e seguramente, você nunca leu três narrativas tão estilísticas e narrativamente distintas, e que entre si fazem tanto sentido quando postas lado a lado. Sutil e habilmente, Yussef age como um ritualista escolhendo ervas aleatórias na floresta e, por puro instinto, de tão diferentes lugares e contra todas as possibilidades, cria um elixir poderoso.

Mas o mais importante, e nisso as referências estrangeiras não foram por acaso, Yussef escreve deste lugar do globo, ou melhor dizendo, por este lugar do mundo. E isso é valioso. Tão mais valioso por ser Yussef único.

Creio ter sido eloquente em boa medida… Agora, caminhe calmamente até o caixa, cumprimente o atendente com educação, e leve este exemplar que, garanto, não lhe decepcionará.

Bruno Laet

_outras informações

isbn: 978-85-7105-587-2
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14x19,5cm
páginas: 244 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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