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Livro Imagem

Disponibilidade: Brasil/Europa

E o movimento era
amnésia ao atravessar todas as tuas imagens.
Janela aberta, tu:
Escondida como o sol
a meio ela
tece e jaz aqui no vento
respira idêntica
ao nosso lado inalterável.
Vida e morte na
ficção

Agora
no centro intacto
onde tudo foi e começa.

(Dois últimos avisos, II, página 10)

 

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_sobre este livro

Acabo de ler Livro imagem, o último livro de poesia de Alejandro Pereyra Doria Medina, e exulto. Mais uma vez o poeta boliviano oferece-nos um caleidoscópio de imagens fulgurantes e emoções fortes. Também quase que ficamos atordoados com esta narração lírica desconstrutiva movida por um ritmo alucinante. Será que o poeta nos quer fazer sentir o «mal de altitude», tão característico do seu país? O certo é que ficamos fascinados e a melhor maneira de o ler é absorvê-lo sem interrupções num transe com planícies e montanhas. Rendidos como cachorros…
Já tínhamos experimentado esta sensação com o primeiro livro de Alejandro Medina, publicado em 2004 no seu país natal, quando o autor tinha pouco mais de vinte anos. Unión mística con la materia en fuga é um livro maduro e culto que fez furor na Bolívia, sendo considerado um dos livros de poesia mais destacados da primeira década do novo século. É muito raro, e em qualquer parte do mundo, surgir uma obra assim, de 214 páginas repletas de imagens incríveis, emoções à beira das lágrimas, amores patéticos, isto tudo eivado de laivos de ciência, mística e ânsias de partida à procura da afirmação da juventude. Trata-se de um universo de alta tensão rítmica e dramática, ajudada às vezes por uma prosa teimosa que se impõe. Pound, Rimbaud, Joyce, Nicanor Parra pareciam assombrar aquelas páginas de um jovem dotado de uma indestrutível fúria poética e de uma propensão única para uma busca incessante do eterno feminino.
Se no primeiro livro o poeta procura sair do seu país, em Livro imagem — vindo a lume vinte anos depois, com o autor já instalado na Europa, em Portugal — ele convoca o remorso e a nostalgia para falar do seu passado. São as inconfundíveis imagens tutelares do pai e da mãe que o confrontam: «O meu pai entrega-me o seu casaco» e «Mãe: o futuro já não tem a cor de lado nenhum». Exilado e vivendo agarrado à sua força que é a vontade, o poeta está de pé sem ilusões: «o ser é o truque /um acto translúcido de vontade /para que a realidade exista.»
Acrescentamos a isto o acaso objectivo de André Breton, na procura malabarística da mulher irradiante e salvadora (Paola, Norah, Lisbeth, Sarah…) e a imprescindível morte necessária para que o poeta exista em glória. «A morte pode ser /de facto um momento de glória»
Conheci em 2024, na Covilhã, este extraordinário poeta que tem muitas cordas no seu arco. É um cineasta notável, um pianista e compositor. Além disso, é um artista e um homem com uma força interior poderosa. Ficamos a aguardar com ansiedade o seu próximo livro de poesia, já que o seu trajecto poético nos toca muito. E sensibilizará, sem dúvidas, quem o ler sem preconceitos.

Manuel da Silva Ramos

 

_outras informações

ISBN: 978-989-9348-39-4
revisão: Victor Negri
idioma: português/ inglês
encadernação: brochura
formato: 13x16,5 cm
páginas: 96 páginas
papel offset ahuesado 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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