Versos expectorantes para sentimentos constipantes

Disponibilidade: Brasil

Versos expectorantes para sentimentos constipantes é o grito de um homem só que objetiva romper o silêncio constipante, ainda que esse silêncio seja o vácuo, o abismo, uma multidão que nada vê, nada diz, nada sente. Estar ciente desse fato é muito angustiante; mesmo assim, tal qual Sísifo em seu castigo eterno, é preciso continuar buscando um motivo, ainda que hesitante, ainda que fugidio, sem se apegar a um futuro. Relaxe e respire, pois quem escolhe é o coração, o destino só endossa. Eis o mundo, eis o homem, eis a tarefa!

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_sobre este livro

“Expectorante”, do latim expectorare, isto é, expelir algo pela boca na tentativa de propiciar algum alívio ou conforto ao peito (pectus/pectum), opõe-se a “constipante”, do latim constipare, isto é, prender, entalar, mais comum “prisão de ventre”, são termos do léxico médico que se juntam a “versos” e “sentimentos”, matéria-prima da poesia.

Essa combinação, de caráter formulaico, por si só compõe a forma poética dos significantes, encorpada pela sua alegoria: sentimentos ficam no cérebro, não no peito, “equívoco” desfeito pela medicina, pois por muito tempo pensou-se o peito como a morada dos afetos, em razão de um órgão pouco discreto: o coração. O embate ciência versus senso comum é, no entanto, aqui anulado em prol de uma parceria poética.

Versos expectorantes para sentimentos constipantes, quarto livro do poeta, constitui-se de retratos que visam a apreender, através das palavras, a aglutinação do onírico, do simbólico e dos desejos de um eu lírico que, notadamente, sente-se “constipado” emocionalmente e que, por isso, luta pela própria vida.

Não se propõe de antemão uma chave de leitura, mas é possível cogitar alguns caminhos interpretativos. Por exemplo, “Anamnese” e “Vislumbre” têm formas clássicas, já outros poemas têm títulos que nos remetem ao ambiente clínico-hospitalar, ao mesmo tempo que são atravessados pelo onírico, simbólico, desejo. Assim, cabe a você, leitor(a), encontrar as fronteiras do que é real e do que é delírio. Mas essa separação é realmente necessária ou um mero capricho da Razão?

O poético surge justamente da mescla e imprecisão conceitual: íntimo/público, simbólico/literal, emoção/Razão, monólogo/diálogo, presença/ausência. Seja lá qual for o caso escolhido, eis a provocação-mote que conduz e sutura os 26 temas: “Se não para criar, para que evocar a infinitude?”.

Portanto, este livro é o grito de um homem só que tem por fim romper o silêncio constipante, sufocante, abafado, ainda que esse silêncio seja o vácuo, o abismo, uma multidão que nada vê, nada diz, nada sente. E ter ciência disso é de fato angustiante; mesmo assim, tal qual Sísifo em seu divino castigo, é preciso buscar um sentido, algum respiro nesse percurso, ainda que hesitante, ainda que fugidio, sem se apegar à ideia de porvir, já que “quem escolhe é o coração, o destino só endossa”. Eis o mundo, eis o homem, eis a tarefa!

 

_outras informações

isbn: 978-85-7105-531-5
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 88 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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