Sisuda – poemas de papoula e pólvora

Disponibilidade: Brasil

cuiabá parece nome de fruta
é município
renavam parece nome de recém-nascido
é rg de carro
voucher parece nome de homem chique
é vale alguma-coisa
ludiquinho parece nome de avô
mas é meu cérebro pitando um cigarro
abençoando as minhas ideias

R$52,00

_sobre este livro

Os poetas inventam cidades imaginárias. Não que os poemas de papoula e pólvora de Thais Helena Bueno dos Santos sejam especialmente temáticos nesse sentido. Mas eles são acontecimentos, e é difícil pensar os acontecimentos sem imaginar um lugar. Se o poeta evoca a natureza, nós situamos seu livro no meio do mato, no mar, na praia ou na montanha…

Mas o cenário de Sisuda me parece ser, na maior parte das vezes, urbano. Não é Jacareí ou São José dos Campos. Conheço esses lugares e sei que, apesar da autora transitar por eles, sua cidade é outra. Se uma cidade como essa existe ou não em algum lugar do mundo, isso é de pouca importância. O imaginário detém realidade própria. Talvez não dê para você pegar um avião até lá. Talvez o único jeito de visitar essa cidade seja lendo Sisuda, na ordem em que os poemas estão. Comece pelo primeiro e vá até o último. O livro começa de manhã. Ele te dá “bom dia”. Ele também termina de manhã. Não sei se na manhã do mesmo dia, ou no dia seguinte. Ou em um dia aleatório, lá na frente do tempo. Essas coisas não importam no Eterno Retorno.

Mas viajei um pouco. Vamos voltar para a cidade. Ela também tem suas regiões serranas, tem cachoeira, tem uma pedra bem grande… tem festa junina, roqueiros, boy lixo… tem burger king, supermercado, açougue… acho que vi uma mulher com serpentes na cabeça também, mas tive medo de olhar muito e acabar virando pedra.

Tenho a impressão de que não tem muita luz solar, parece ser uma cidade preponderantemente noturna. Apesar disso, nela as pessoas acordam cedo. Então é aquela sensação estranha do horário de verão, de se levantar e se preparar para o trabalho, enquanto lá fora ainda é noite. Será que é por isso que lá os homens parecem ser tão preguiçosos e dorminhocos?

De repente, um deles se destaca: Noel. Mas que Noel? Gallagher? Rosa? Papai Noel? Ma-Noel? Ou será que é só um cara que parece um deles? E se for um apelido? Pode ser que o nome verdadeiro quase rime com “bandoneon”: Napoleão, Doriedson, Pantaleon… Bom, acho que não é para a gente saber. Esse cara fica zanzando por aí, aparece em vários poemas. Será que ele é um homem infinito?

Uma coisa boa a respeito de cidades imaginárias é que a gente não fica pensando no que elas poderiam ter. Tudo o que elas precisam, surge de imediato. Acho que é por isso que os poetas gostam tanto de inventá-las. Porque o mundo, tal como se mostra para nós, é insuficiente. A gente precisa de mais. A gente quer mais. E deveria ter mais. E é por isso que a poesia é revolucionária.

Bruno Ishisaki

_outras informações

isbn: 978-85-7105-518-6
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14x19,5cm
páginas: 52 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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