Onde termina a areia

Disponibilidade: Brasil

Entre o mar e o mangue, entre o que fica e o que muda, existe Tamoê: uma ilha fictícia com apenas duas estações, verão e inverno, onde o ciclo lunar organiza o tempo e a vida cotidiana é atravessada por desejo, trabalho, fé, memória e conflito. O erotismo aqui é uma energia brutal — uma fresta para pensar a liberdade das mulheres num lugar em que tudo toca tudo: gente, água, areia, segredo.

R$58,00

_sobre este livro

O livro Onde termina a areia tem como eixo narrativo o choque entre opostos. Ilha e continente. Verão e inverno. Turista e nativo. Maré baixa e maré cheia. Chegada e partida. Afeto e fetiche. A própria autora, Bianca Toloi, define que “o livro nasceu numa beira”. Posto e narrado, não se sabe quando os personagens vão mudar de margem ou permanecer no limiar. Seja o nativo que vende as terras de um gringo para uma turista enquanto ele próprio não tem terreno, a turista que “precisa se encontrar” no paraíso, ou a criança que só leva bronca dos pais explorados pelo patrão, todos personagens vivem conflitos sociais e culturais atenuados pela queda das fronteiras físicas. Já não há barreiras, mas um constante embate com o outro — com o mundo do outro. No primeiro conto, “O jegue do vizinho”, um nativo observa a mulher, de fora, trabalhando no computador. “Coisa doida esse negócio de trabalhar dentro de casa! E sem nem se levantar da cadeira. Nunca tinha visto isso antes desse pessoal de fora se mudar pra cá.” A denúncia feita é a de que existe um antes ainda fresco na memória, no qual a ilha de Tamoê não era um paraíso, simplesmente porque esse rótulo foi dado por quem veio de fora. A ilha era terra dos nativos, segura porque segurança não era um valor a ser conquistado e sim um direito dado. E, se antes a maré ditava os caminhos de Tamoê, nos contos do livro, a areia registra novas pegadas e, com elas, caminhos abertos não pelo santo, mas pela ganância: “Marina ainda confia que aqui é um lugar seguro e nunca tranca nada”. Mas não só, quem é de dentro também sai em busca de mais terra à vista. No conto “Brincadeira de criança”, Natiara escuta da turista “Você é tão linda… Tão livre… Queria ser como você”, sussurro que a faz fugir sozinha com a filha para o continente, deixando a família e o paraíso em busca de uma liberdade menos cerceada. Bianca narra o hoje, valendo-se da sensualidade do que é idílico, mas, ao mesmo tempo, da carne viva do que é urgente. Onde termina a areia é um livro de registro, é a ficção a serviço da história.

 

Rita de Podestá

_outras informações

isbn: 978-85-7105-519-3
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14x19,5cm
páginas: 156 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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