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Tauromaquia

Disponibilidade: Brasil/Europa

lutei com touros esse ano.
touros implacáveis, deuses, semideuses, grandes e bufantes e enormes correndo atrás de mim, quase me alcançando, quase me perfurando o olho esquerdo como o de Granero.
Zeus raptando Europa over e over. um rapto, para não dizer estupro — a palavra censurada —, estampado nas bandeiras, nas estátuas das praças, nas moedas, na bolsa de valores.
traumas antigos sendo descongelados do frio profundo das calotas polares como uma cicatriz que se abre anos depois do rasgo.
tive que aprender a tauromaquia na marra, no susto…

(Feliz ano novo, página 9)

 

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_sobre este livro

A milenar corrida de touros encontra na boca da poeta a vermelhidão de alguém que prova no estrangeiro o gosto da própria terra. Risco de sangue e perdas dentárias. Aqui as boas maneiras dos Alpes não cabem nas mesas amarelas, com o litrão e o funk brasileiro. Não é possível contar sobre a música que toca. A pele. O mar. Mar — palavra miúda que esconde o oceano de uma fêmea que se recusa a ser Penélope: “a arena também me pertence/ o navio também me pertence/ a cidade é minha/ e a minha aventura também começa/ quando você sai”. (O que resta do Grande Odisseu diante do Grande Touro Mulher?). Penélope em deriva oceânica é desta vez para ela a casa que nunca chega. “Eu não trouxe muitas coisas para a Holanda”, ela diz. O que se ganha ao perder o pertencimento? Uma língua nova. Um livro de poesias no idioma materno — embora às vezes gringo e com sotaque de saudade. Este é o caminho contrário dos ancestrais: de São José do Rio Pardo a Amsterdã. Mas o corpo insiste. Os mesmos tendões e costelas de outros tempos. De Alberto Caeiro a Cardi B. Em ponte aérea, estamos todas dançando no poste familiar desta outra cidade. É assim: todas as bifurcações levam a um beco sem saída. Isto porque há muitas formas de não dizer alguma coisa. Poliglota da mudez, ela escreve “o eu te amo sempre me escapa”. Nomeia o impossível com o corpo em catástrofe: “mas você bem sabe que/ se você me dissesse por exemplo/ vamos sair correndo no meio da tempestade/ eu diria vamos”. Aqui está a melancolia e sensualidade da poeta. Paguem a melancolia e a sensualidade da camgirl. Os tailandeses com seus trinta centímetros de fala penetram a superficialidade das máscaras desta Minotauro — tão exposta quanto histericamente inacessível. Larvatus prodeo. Afinal, Tauromaquia ressoa pelos labirintos do ouvido, em várias bocas: “who is the monster and who is the man?”

Camila Ferrazzano

_outras informações

revisão: Victor Negri
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5 cm
páginas: 114 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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