Para tocar com os olhos

Disponibilidade: Brasil

O pequeno libelo que você tem nas mãos nasce de uma esperança. Aquela do primeiro livro, primeiro toque da caneta na folha de papel. A poesia singra nos versos, na prosa poética de Thiago Abercio como se à procura de mar, com fluidez de um rio, Beberibe se junta ao Capibaribe e desemboca em Para tocar com os olhos. De maneira nua, crua, nossa. Raiz até a ponta dos cabelos. Nos desconcertando. Nos retirando do centro, dos campos verdejantes, do estado de pedra. Que sente, apesar de estática. Que luta, apesar de invisível. Para se tornar luz nos olhos e iluminar toda a vida até o fim dos tempos.

Patricia Gonçalves Tenório

R$54,00

_sobre este livro

Como se cada poema desarmasse uma bomba melancólica no asfalto minado da cidade. Calçado naquelas botas carcomidas pelo tempo, o poeta transforma o artefato em flor — flecha germinada por pés flutuantes antes da pisada inaugural. Neste livro de estreia, Thiago Abercio se move entre o que persiste no grito fantasmático e a voz residual ecoada a partir do abismo. Há um universo de esplendor precário, feito de coisas inacabadas que se encenam nos sussurros geográficos trocados entre observador e observado, num jardim de escombros com pedras tateadas por dedos aquosos.

Em Para tocar com os olhos, Abercio descortina o horror do mundo e suas minúsculas gotas de esperança, num mar de versos fuliginosos — iluminados, por contraste, pelos dias vacilantes de desconfortável brancura. Para realizar esse gesto, ele tensiona uma linha de costura que, ao se esticar, revela o movimento das retinas num assombroso deslocamento cinético entre o fluido e o sólido. Suas evocações desconcertam e erguem uma urbanidade polifônica de ruínas, dialogando com os antepassados — aqueles que também beberam o cotidiano em pratos rasos, preenchidos pelos restos da primeira e também da última refeição do dia.

Ali, o olhar não é apenas um gesto de ver, mas um campo de afetos, cortes e descobertas, exatamente como propõe Roland Barthes. Cada cena é composta pelo encontro entre o que o pensamento enxerga e aquilo que, de súbito, o atinge como punctum: um detalhe, uma memória, uma presença que devolve o olhar. A narrativa poética se constrói nessa tensão entre o que é culturalmente compreensível e o que escapa ao controle, revelando que ver é sempre interpretar, desejar e ser tocado. O olhar não descreve: ele transforma, fere, convoca — e, como em Barthes, faz do instante uma experiência íntima e irrepetível.

Manoella Valadares
Poeta, tradutora e crítica literária

_outras informações

isbn: 978-85-7105-460-8
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 108 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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