Oferta!

Falta muito para o meteorito?

Disponibilidade: Brasil/Europa

​​pequenas gotas
aumentam o sol
que tatua a janela

a mão aberta e vaga
repousa na mesa fria
entre grainhas espalhadas

a violência de uma cama desfeita
fruta velha à espreita
árvores mortas em flor

ouve-se o mar ao longe
escondido de improviso
na sombra da paisagem nua

Natureza-morta da tua ausência (I), página 28

10% de desconto
PRÉ-VENDA ATÉ 24/05/2026.

Os livros serão enviados no prazo máximo de 15 dias após o término da pré-venda

O preço original era: R$55,00.O preço atual é: R$49,50.

_sobre este livro

Luís A. Fernandes percorre o espaço da casa, empoleira-se à janela, e observa a cidade. Diante de si, do reflexo, espera aqueles que vão dormir; também um menino, talvez o poeta, ele próprio, seu filho (re)nascido do ventre da urbe. Os versos de Fernandes são as palavras aflitas desse menino reflectido, tomadas por um choro que se cala à procura de gritar. “Vês filho todos dormem menos nós”, também assim nos silencia o poeta propondo-nos, contudo, o grito calado; e a poesia de Fernandes faz-nos gritar, como meninos calados gritando e chorando à dor, talvez prestes a sonhar. “Com o que sonha uma criança acabada de nascer?”. Atentos, escutamos estes versos para podermos imaginar o que infelizmente já conhecemos porque aprendemos, precisamente, a imaginar. Até ao limite do cansaço, do grito e do choro. Eu diria que os versos de Fernandes são o embalo dessa exaustão, sossegando a figura que teima em mover-se imperceptível num quadro de uma natureza-morta pronta a tomar-se de vida.

Francisco Mota Saraiva
romancista e Prémio Saramago em 2024

Falta muito para o meteorito? poderiam ser imagens que o Luís rouba à cidade para, depois da errância, nos devolver, a nós, leitores, com os modos de uma linguagem que condensa num fluxo que, ora acima, ora abaixo, parece não chegar a bater nem num teto nem num chão. Talvez este livro seja um convite que o poeta dirige para uma caminhada poética, daquelas que têm início na memória, transitando por futuros possíveis até ao instante em que o embate com a contingência caótica, extremista e extremada faz com que o corpo atravesse a sombra de ruelas, passeios, becos, numa busca insaciável das coisas e dos seres que ainda vivem. Porque só quem sabe que tem um porto seguro, se arrisca a partir. Só quem sabe construir segurança a partir das ruínas, daquele fragmento que ilumina um dia inteiro, de um raio de sol que rasga o céu negro. Este livro, travessia do ódio até ao que resta do amor, mas amor, é canto que eleva as coisas simples, criando sentido para o dia-a-dia, numa voz poética que, em sol menor, discreta, se tem tornado mais coesa, limpa, certeira. Um livro para se sentir o prazer de viajar sem sair do lugar.

José Oliveira Pinto
poeta e editor da revista Txon

 

 

_outras informações

isbn: 978-989-9348-05-9
revisão: Victor Negri
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5 cm
páginas: 86 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

Carrinho

Cart is empty

Subtotal
R$0.00
0