Alcançar a palavra, às vezes, exige o silêncio absoluto do nada. Rafaelle Artof sabe que para criar é preciso coragem para encarar o medo de frente — diferente. Nesta obra, ela nos conduz por um labirinto de sensações no qual as palavras “Te vejo como águas salgadas, mesmo que teu lar seja concreto”. É nesse espaço entre o que nos prende e o que nos liberta que pulsa a poesia de Rafaelle Artof. Após habitar o cinza denso da metrópole, a autora retorna ao azul de si mesma, trazendo na bagagem o que restou do salto.
Atriz de sua própria história e cenógrafa de seus abismos, Rafaelle estreia na Urutau com uma poesia que é salto y é mar. Seus versos não pedem licença; eles inundam como água salgada que vem com o intuito de nos transformar. A vida é como a maré. Ora nos joga contra o concreto, ora nos devolve à imensidão. Ler este livro é aprender a flutuar onde o chão não existe mais.