A crosta do ontológico: poemas de saturação

Disponibilidade: Brasil

Sementes dormentes:
Há uma intenção preguiçosa
chamada desculpa.

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_sobre este livro

Em sua nova obra, A crosta do ontológico: poemas de saturação, José Ruy Pimentel de Castro revela-se um autor em pleno domínio de sua maturidade estética. A “crosta”, aqui transmutada em símbolo central, não é mera superfície, mas o sedimento resultante de complexos processos criativos e experienciais. É uma camada ao mesmo tempo espessa e sensível; uma couraça que, embora endurecida pelo tempo, resguarda a carne viva e exposta de um eu-poético que não teme a própria vulnerabilidade. A ontologia de Castro se faz, portanto, na tensão entre o que protege e o que fere, indicando que a verdadeira profundidade humana só é alcançada quando atravessamos as camadas mais densas da existência.

O subtítulo, “poemas de saturação”, funciona como um contraponto dialético a essa solidez. Ele evoca a urgência do esvaziamento por meio do verbo. Em tempos marcados por excessos informacionais e pela exaustão das interações, a poesia de Castro propõe o esgotamento da dor, da alegria e da angústia até o último suspiro. É o exercício de deixar-se exaurir para que, no vácuo do que foi dito, a essência humana possa finalmente respirar.

Herdeiro de uma trajetória consolidada por obras como Tricótomo (2009), Autofagia (2022) e Versos de planta entre sonho e miséria (2025), o autor nos entrega agora 96 poemas de arquitetura instigante. Castro maneja com erudição a intertextualidade, estabelecendo diálogos vivos com a tradição canônica — como se depreende em “Minha terra tem palmeiras” — e com a mitologia grega, invocando figuras como a Medusa para tatear os abismos da psique contemporânea. Suas memórias de infância e as asperezas da vida adulta fundem-se em um mosaico onde o arcaico e o presente convergem.

[…]

A escrita de Castro opera como a formação de uma ostra: ele extrai das pressões externas as questões mais urgentes da gênese da vida. Mesmo quando o eu-lírico se autodefine como uma “ferida ignorável”, o autor o faz com uma sagacidade que equilibra o peso existencial e a leveza lírica.

Convido o (a) leitor (a) a despir-se das certezas e a iniciar a escavação destas páginas. Ler A crosta do ontológico é aceitar o desafio de romper a superfície das aparências para encontrar, no âmago da saturação, a pureza do que ainda nos torna humanos. Permita-se atravessar esta crosta; o que há do outro lado é o espanto renovado da poesia.

Trecho do Prefácio de Rízia Lima Oliveira

_outras informações

isbn: 978-85-7105-434-9
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 132 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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