“E o que a dilacerava era o fato de que não importa o que escolhesse, alguém sempre sofreria e quase sempre, esse alguém era ela… Por que amar precisava vir com esse preço?”
Qual seria o preço do amor para uma mulher após os quarenta anos, mãe, independente e marcada por cicatrizes profundas? Essa pergunta ecoa nas páginas desse livro que é sobre desejo e autonomia, sobre amor e perda, sobre a difícil arte de uma mulher madura amar sem abrir mão de si mesma. Em Sob o céu do Cerrado, Natasha retorna à cidade natal, Jaraguá, Goiás, carregando nas costas os anos de um casamento desfeito, a maternidade de dois adolescentes, o trabalho como professora e uma vida organizada em meio a responsabilidades, cansaço e reconstrução emocional. É nesse retorno ao território, à memória e a si mesma que ela reencontra Rodrigo, o grande amor da juventude, aquele que partiu sem explicações e deixou marcas que o tempo não apagou.
Eles descobrem que há amores que não morrem; ficam guardados no escuro dos escombros do coração, à espera de uma fresta de luz para renascer. Mas esse reencontro, vinte anos depois, não acontece no campo idealizado do passado, e sim no terreno áspero da maturidade. Natasha não quer ser salva e Rodrigo precisa revisitar a própria ideia de masculinidade para aprender a compartilhar a vida.
Ambientada no interior de Goiás, a narrativa incorpora o ritmo, os costumes e a vida social do Cerrado: as reuniões familiares, os churrascos, a música sertaneja, a dança e as tradições que moldam os afetos e cotidianos. Nesse cenário, encontramos uma mulher viva que não cabe em estereótipos, que canta, dança, chora, ri e deseja. Que mata a dor dentro do peito todos os dias para sustentar a casa e os filhos de pé. Vemos também um homem que não é um herói e que trava uma batalha constante contra comportamentos tóxicos para se tornar um companheiro à altura dessa mulher que o instiga e inibe ao mesmo tempo. Juntos, eles se reconstroem, tijolo por tijolo.