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Buracos Negros as letras

Disponibilidade: Brasil/Europa

Pensar o mundo através das letras, dos números e dos astros. E através da religião da avó que chora, do avô que bebe, da que passa o dia no café e do que deixa bastardos espalhados aqui e além como troféus. Confrontar-se com a ausência de deus e a solidão. Aprender a homossexualidade pelos tímpanos. Ter sempre muitas vidas: a real, a sonhada, a sentida, a desejada, a proibida. Estar em trânsito entre Lisboa, Paris, Torres Vedras, Sevilha, Rio de Janeiro, Aveiro e Mem Martins.
Contado na primeira pessoa, um romance queer, fragmentado, de Ulisses ao Facebook e Instagram, passando pelos anos 80 e 90. Uma ficção autobiográfica organizada por capítulos segundo a sequência do alfabeto. Como um cubo mágico, onde se monta uma face de uma cor e depois se desmancha para ver as outras, de outras tantas cores. Uma tentativa de algoritmo e de organização do mundo a partir da aprendizagem da escrita, onde espaço e tempo são apenas dimensões pelas quais se viaja livremente. O retrato de uma sociedade rural como pano de fundo, de onde emerge um jovem gay a caminho da capital e do mundo.

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_sobre este livro

para falar de buracos negros poderíamos começar pelo princípio: alfa + beta > aleph + bet > ab. ou seja, pai e mãe, masculino e feminino, concepção, coração, casa, pão, verdade, verbo. regressar à estrutura — à linguagem antes da linguagem — que permite que algo seja lembrado, organizado e dito. poderíamos falar de uma tentativa de reconstituir a própria origem — não para narrar uma vida, seja ela real ou ficcional, e, na verdade, qual é a diferença? —, mas para pesar, nomear e ordenar aquilo que a constituiu. uma tentativa de voltar ao lugar onde a linguagem começou a formar-se — verbal, afectiva, relacional e eticamente.
as nossas experiências são descontínuas, intrinsecamente saturadas e confusas. e buracos negros dá-lhes uma ordem, cria um dispositivo de justiça íntima. diz-nos: isto é o que precisa de ser dito para que uma verdade se organize.
cada participante de qualquer biografia é, inevitavelmente, um buraco negro: não os conhecemos em si, mas sim as deformações que vão causando. a sua influência não termina com a existência — aliás, a ausência pode ser ainda mais gravitacional do que a presença. sugam tempo, atenção e desejo. fazem colapsar possibilidades. obrigam a que se descreva uma órbita à volta deles, a que se façam ajustamentos. levam ao sacrifício de trajectórias pessoais para que não acabemos destruídos.
o que é que fazemos com os outros sabendo que estamos presos, com eles, num sistema? e o que é que fazemos, mais tarde, quando compreendemos que esse sistema está dentro de outro, talvez ainda mais demente do que o primeiro? e o que é que acontece quando percebemos que não há lugar nenhum fora deles — lugar nenhum garantido?
o primeiro impulso é o desespero. mas ele não resolve nada sozinho. então, pensa. e a resposta que lhe chega parece ser a autoria — ainda que tenha, desde cedo, a cara fixa. ainda que a escrita não resgate nada em absoluto. ainda que as novidades sejam invariavelmente as mesmas.
se existe uma saída, ela é mínima: a capacidade de duvidar, talvez. e a recusa em naturalizar o sofrimento. e a insistência em não tratar os outros como objectos — mesmo num mundo possivelmente falso, cheio de memórias e de fragmentos.
a autoria não nos tira do mundo, é certo — impede-nos de nos confundirmos totalmente com o labirinto.
miguel bonneville

_outras informações

revisão: Victor Negri
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14x19,5 cm
páginas: 238 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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