Neste livro existe caos e ordem, muitos gritos e muitos silêncios. Os protagonistas das diversas histórias que fazem parte desta obra transitam entre o absurdo de poder morrer a qualquer momento e a possibilidade escassa de continuar vivo. Não há muita lógica em suas trajetórias, mas há sempre muita vontade de continuar vivendo, mesmo que isso, às vezes, não dê certo.
Alguns personagens podem cultivar empatia no leitor. Em outros podem provocar irritação. Mas todos, sem exceção, vão suscitar atenção. Não é fácil acordar todos os dias e descobrir, para genuíno espanto, que viver precisa de coragem. Infelizmente, coragem é qualidade muito deseja, mas pouco cultivada. É no medo que passamos muito tempo de nossa vida. É no medo que fingimos lutar.
Uma vida cabe num conto? É um questionamento válido. Assim como nunca seremos felizes plenamente todos os dias de nossa existência, também não o seremos para sempre tristes. Há pedaços felizes e há pedaços tristes. E, na soma de pedaços, podemos compor uma vida. E é somando contos que temos várias vidas. E elas estão dispostas aqui.
Dessa forma, os diversos tipos que terão suas vidas detalhadas por estas páginas poderão ser espelhos para muitos. De um simples enamoramento, um desejo de voar, uma experiência numa pista de dança, passando pela vontade infrutífera de ter filhos, estes tipos têm mais em comum com a vida real do que possamos imaginar.
Há de se ter compaixão por alguns, raiva por outros, mas indiferença jamais. Para se lançar na vida, e eles o fazem com bravura, é preciso ter coragem. E isso, felizmente, não falta a eles.