Como preparar a casa

Disponibilidade: Brasil

com quantas mães
se faz um filho?

R$54,00

_sobre este livro

Em um dos primeiros poemas de Como preparar a casa, vocês vão ler: “(o que torna uma mulher mãe?)” Não é uma pergunta fácil de se fazer, daí os parênteses, daí o silêncio que a cerca. Se ela está cercada de pudor e interdito, o poema pode ser o lugar em que esse não saber venha à superfície, muitas vezes, inclusive, com algum humor, como quando lemos sobre as buscas no Google que a mãe deste livro faz diariamente. Uma mãe está, ainda hoje, muito só em suas dúvidas: com quantas mães se faz um filho? quando é o tempo certo? o que resta de mim depois de parir? — essas são algumas das incertezas que pontuam estas páginas ao acompanharem os dias de gravidez e do bebê recém-chegado. Quem sabe uma mãe que escreve esteja menos só. Mariane escreveu uma tese, se casou, conheceu diferentes cidades, escreveu sobre elas. Mas que palavras poderiam nomear a espera de um filho, esse estado entre o ser e o não ser, que, ao contrário do que a lógica nos ensina, não são opostos absolutos? Como falar da chegada de alguém que é preciso conhecer e cuidar, rodeada com frequência de culpas: “eu ainda me sinto insuficiente/ eu sempre vou me sentir assim/ para lembrar que o filho da mãe/ a cada dia deixa de ser da mãe”. Os poemas deste livro desafiam lugares-comuns, perguntam muito, se espantam, atravessando afetos difíceis, quase indizíveis, como o oco que se abre no meio das palavras, no poema “Pai”. Este livro pergunta o que é ser mãe e também o que é ser filha. Numa espécie de interlúdio, abre-se, entre a gravidez e o nascimento, uma busca por uma genealogia que parece inevitável recuperar e revisar quando as posições mudam. Além da escrita, a poeta tem também a psicanálise ao seu lado, que lhe dá uma outra escuta (atenta a alguns clichês da maternidade) e um olhar engajado contra os preconceitos de gênero. Por isso talvez este livro surpreenda quem espera conforto; Mariane não tem medo de apontar o mal-estar em torno de expectativas construídas às custas da solidão das mulheres. Escrever é romper com um pacto de silêncio e solidão — é preparar uma casa assumindo o que há nela de inacabado, incompleto, imperfeito. Talvez essa seja uma aprendizagem, preciosa, que a maternidade escrita pode nos dar: “uma casa é sempre as ruínas de uma casa,/ uma coisa ameaçadora à espera de uma palavra/ para reconstruir”.

Paloma Vidal

_outras informações

isbn: 978-65-6035-039-7
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 112 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

Carrinho

Cart is empty

Subtotal
R$0.00
0