Casa de retalhos

Disponibilidade: Brasil

o homem que eu amo
largou os ombros em mim

não sei dizer o aspecto
noturno e fálico amante
aparento soar
nuances de raiva
no meu curto vestido preto

quero largar a pele
seca em vaso fértil
ou num cálice
de vinho tinto

 

O livro está em pré-venda até 16/01/2026. Os envios serão posteriores a essa data. 

R$49,90

_sobre este livro

Entre memórias e poeira de cômoda, o lirismo que emerge dos poemas de Déborah Bacelar opera como uma experiência de retorno ao peso dos dias. É como se o conjunto de poemas nos lembrasse de que, sim, a casa também comporta borrões e fragmentos inexatos.

Tais lampejos incompletos dão, paradoxalmente, contorno às imagens que transmitem movimento. Aqui, a casa é parte do próprio corpo, duto da experiência diária. Neste recinto, retalhado com tamanha lucidez, há um sujeito lírico que, como arqueólogo à cata de vestígios, assume duas notáveis posições.

De um lado, questiona os papéis de gênero que limitam ou impossibilitam a permanência de figuras femininas na mesma medida em que experiencia o desejo, a recusa e a ousadia diante de estruturas sexistas e limitantes: “uma cadeira/ espaço de muita vida/ cabe um céu de pedra […]/ só não as carolinas”.

De outro, no mesmo tempo em que narra, estende as mãos àquelas fraturas que se alargam nos quartos ou na nossa consciência alvejada, seja ao ansiar a inexistência do outro, seja ao reconhecer a própria culpa diante de um delito.

As situações descritas e representadas pela poeta, nesse sentido, tecem um fio que conduz o leitor a uma compreensão divertida e acrobática em relação às diferentes subjetividades, por meio, inclusive, de inteligentes alusões e alegorias. Há, ao longo dos textos desta casa de retalhos, um exercício constante de alteridade.

Douglas Laurindo, professor e poeta

_outras informações

isbn: 978-85-7105-359-5
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 72 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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