Mulheres com vontade de comer tijolo

Disponibilidade: Brasil

Penélope descobre

que gozar acontece
quando o novelo de ideias noturnas
se desenrola em seus dedos cansados
que enfim encontram o encaixe
que gozar é o silêncio
quando tudo avança trêmulo
em sua cama de casal para uma:
casco rompendo onda
gozar é oceano gelado
que irrompe morno no fundo
estar à deriva e gostar
do vento que bate nas velas

R$49,90

_sobre este livro

Desejo de grávida? A imagem que fecha este livro são três mulheres unidas com feras ao meio de seus corpos, como se estivessem grávidas dessas feras. As mulheres com vontade de comer tijolo conversam com A fera ao meio, o livro anterior de Priscilla Menezes. Mudam de forma, transitam entre os estados sólido, líquido e gasoso, entre o animal, o mineral, o vegetal. Conversam com as Metamorfoses de Ovídio, mas de outro lugar. Nele, mulheres e monstros são reféns de heróis. Aqui, estar entre nascimento e extinção é o lugar do começo justamente porque não há dicotomia nem aniquilação entre seres e formas. Um corpo nasce do sal, do pó que se deposita nas águas salgadas, da poeira que se deposita nas estantes ou nas camadas geológicas.

Narrar o nascimento para si mesma é nascer de novo através de outro nascimento feito de água, terra e fogo. Ler linhas da vida em mãos, ler linhas invisíveis que se tecem fora do alcance da vista é escrever essas linhas como movimento de ser gestada pela vida que habita o mínimo: ser estranha, ser entranha — há muitas formas de nascer: “Ela me devora, grávida de mim”. Nascer de um inseto, por exemplo, é ser lida por outras linhas.

Ser devorada, devorar-se com as mãos: uma mulher com muita vontade nasce, erótica, pelas próprias mãos. Com uma fome insaciável, fala-se com todas as moscas dentro da boca, vira-se a mosca que entra na boca alheia. Se a poesia ocidental foi fundada por um verso que cantou a ira de um homem (“Canta, ó musa, a ira de Aquiles”, eis o primeiro verso da Ilíada), aqui, dar passagem à poesia é dar passagem à ira de uma mulher que passa por muitas mulheres: “canto, ó musa, a ira que é minha/ filha da minha mãe que é filha/ da mãe dela que incontáveis/ trouxe ao mundo deitada/ em sua cama de casada, cambraia e renda / mordaça na boca para não gritar”. O canto é grito chamejante, que chama e queima. Abrir a boca e abrir as pernas estão em estreita relação. Mulheres com vontade de comer tijolo reconectam garganta e sexo para que elas possam percorrer seus próprios buracos e viver gozando com eles, e não morrer porque são tomadas por eles.

Os versos deste livro, tijolo por tijolo, constroem “uma terra sem heróis”. Quando há “algo de novo no front”, restos de guerra são poeira onde tudo ganha vida e chama brilho. Após os destroços, o que se ergue de uma ponta afiada não é senão a língua que, tijolo por tijolo, lambe o pó, a poeira, as entranhas, e diz “sobre o destino de toda estrutura: vai ter que quebrar para ver”.

Danielle Magalhães

_outras informações

isbn: 978-85-7105-325-0
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 68 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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