Farelo

Disponibilidade: Brasil

Quando o Caetano veio pra cidade estavam os seus grandes olhos negros cheios de cor, vagando por entre espaçonaves, fotos e nomes.

Em Farelo nós chegamos em uma metrópole igualmente caetanizada, mas submergida na desolação de tempos enfermos e com a morte por desnutrição à espreita. Bolsos rasos e vazios.

Chafurdamos na cidade poluída à base de vinhos de qualidade duvidosa, entre sofás emprestados, cervejas duplo malte e a busca incessante por migalhas de compaixão.

Farelo vaga, observando a humanidade em seu estado mais cru e desesperado. De bailes de gafieira a chamadas de vídeo. Esta é a crônica de uma sobrevivência íntima, irônica e sem filtros.

Diego Diniz

jornalista e escritor (Sheila use & abuse)

R$52,00

_sobre este livro

_________ é para os fortes! É o que diz todo imigrante já nos primeiros dias em que chega aqui. A cidade é uma máquina de moer gente. É uma legião de seres com suas solidões caminhando para todos os lados, com apenas um pensamento na cabeça: mostrar para ela que os fortes não se dobram.

Das centenas de milhares de gentes solitárias que habitam _________, este livro nos coloca dentro da cabeça, dos pensamentos, de uma delas. Cabeça que está do lado mais interessante da cidade, o lado dos desvalidos, dos que batalham sem perder a ternura jamais. Farelo encontra a cidade em seu momento mais vulnerável, quem diria, a cidade que já era doente, adoeceu. As ruas esvaziaram, o pânico se instalou, a economia se abalou e o setor cultural, já tão cansado, tombou de vez. E seus trabalhadores zanzaram sem rumo. Atordoados.

Fabrício é esse cara andando de casa em casa comendo os farelos vivendo de favores desafiando a cidade descortinando vidas em bares sujos ruas mal iluminadas puteiros obscuros sem grana nos bolsos com o estômago doendo ladeado por seus pares os marginalizados.

Note que em todo esse parágrafo acima dispensei o uso da vírgula pois essa vida não acontece com vírgula nem com pontos nem com qualquer sinal que nos conceda o benefício da tranquilidade.

Em Farelo, o que é ponto de eterno retorno acaba por se transformar em uma estética. A estética da fome. Fabrício escreve com o estômago colado às costas, ouvindo os ruídos animalescos do seu corpo, com os olhos esbugalhados e respiração ofegante. E é exatamente esse estado o que torna tudo mais interessante, mas estar atento aos pequenos detalhes dessa cidade faz uma puta diferença. Olhar nos olhos das pessoas, tão fora de uso por aqui, faz a cabeça de qualquer escritor preencher as lacunas que faltam para desvelar aquela pessoa, a cidade, a vida. Fabrício saliva, amola os dentes e tem uma arma poderosa, a caneta sem tampa e um caderno velho e sujo.

Não se trata de um flâneur, Fabrício não tem esse tempo, ele não passeia pela cidade, ele dorme em bancos de terminais, caminha a noite inteira esperando o amanhecer e com o charme característico dos bons malandros consegue acolhimento nas casas dos muitos amigos que conseguiu fazer, o que é mais uma vitória. Com os devidos exageros, Fabrício é uma espécie de Baudelaire dos miseráveis. Mas não pense que Farelo seja mera ilustração da vida que não se mostra, este livro é também inquisidor. Leia e verá surgir assim que fechar o livro a pergunta imperativa: E aí, mermão, qual é a sua?

Adriano Barroso

ator e escritor (Eras de ti, Ato/Paixão segundo o Gruta)

_outras informações

isbn: 978-85-7105-363-2
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14x19,5 cm
páginas: 132 páginas
papel pólen gold 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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