Resto

Disponibilidade: Brasil

os cheiros. a insistência. o cheiro de pano de louça lavado. o cheiro de metrô. o cheiro ruim e amarfanhado que é fetiche — você não tem mais aquela calcinha achada com o motorista? o cheiro da pobreza que é fetiche, que não é cheiro de flores abertas, aromatizador ou de vinho importado comprado na bodega. ao ouvir falar do seu cheiro, a vermelhidão vai subindo no homem. cheiros de tensão, cheiro de sexo, cheiro sentido pelo cachorro debaixo da cama.

(trecho de “hospedeiro”)

R$52,00

_sobre este livro

A poesia de George França nos convida a um mergulho exatamente onde o rio encontra o mar — e a poesia a prosa. Com pontos de Walt Whitman e seus versos longos, prosaicos, quase épicos, mas também com a vividez e intimidade dos proemas de Ana Cristina Cesar, França costura uma tapeçaria entre o Brasil e o mundo; o moderno e o contemporâneo.

Ainda, Resto fica na corda bamba entre o clássico e a cultura pop, como no poema “Shakespeare existiu”, onde aborda o grande poeta e dramaturgo a partir da polêmica de sua existência. O poema reflete também sobre a noção de permanência do cinema e de sua reprodutibilidade, televisão e música com ironia e queeridade. Dessa forma, França se coloca como um poeta refinado e pós-moderno por expressar o que é mais caro à poesia contemporânea.

Resto é composto de sete partes: infans; escola; nascer, crescer e fugir; empacotados; de um diário abandonado; marinheiro; e, por fim, necrológios. Os poemas trazem à tona temas tais quais: queeridade; infância; dualidade entre vida e morte; carnaval; envelhecimento; literatura; cinema; música e tantos outros tão relevantes quanto para se pensar o Eu contemporâneo. Ambientados ora no interior e ora na capital, com marcas culturais de Florianópolis — local onde “miramora” — e tantas outras cidades cosmopolitas do mundo, Resto é também uma viagem por culturas e lugares mundo afora.

Em versos pincelados com tom surrealista, George França cria em “casa de bloquinhos” uma espécie de passeio pelo universo onírico, um tipo de fluxo de consciência versificado daquilo que é espectro do mais íntimo Eu — pontos em que flerta com a poesia moderna de Murilo Mendes. Já em “live to tell”, França nos apresenta um poema epistolar para alguém muito amado que já se foi. Com intimidade que deixa quem lê à mercê dos não-ditos, à la Ana C., “live to tell” mostra também o não vivido e, portanto, torna-se um poema sobre ausências — a carta tardia para a qual não já não há mais destinatário.

Com clareza e refinamento, França constrói uma poética que transborda intertextualidades, humor e crítica social a partir de eus-líricos que soam um desbravar pelo mundo e, mais importante, pelos seus universos interiores: memórias, opiniões, desejos e inquietudes.

 

Renata Gonçalves Gomes

Professora da UFPB e Doutora em Literaturas de Língua Inglesa pela UFSC

_outras informações

isbn: 978-65-5900-948-0
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 104 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

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