Fechei o livro nem tinha aberto direito. Como se uma obrigação estivesse concluída. Abortei a leitura — pela que vez? — como quem coloca talheres no escorredor. Tantas vezes desisti desse livro que se tornou mais natural largá-lo por ali no banheiro ou do lado da cama, como se eu estivesse realmente avançando, quando na verdade estava na mesma página — ou talvez nem na mesma página, duas para frente ou três para trás, viradas pelo vento — havia meses, quatro ou cinco. Essa mesma página, fico carregando ela pela casa sem saber o que diz, sujando de comida, fiapos de papel higiênico, cílios e cinzas. Matheus Loner