O que há de mar em mim

Disponibilidade: Brasil

Este livro é uma maré identitária: um caminho escrito em movimento de vai e vem que destaca um pouco do que é estar vivo nesta conjuntura. O mar que há em mim é mais que água salgada, são as cidades sem praia que amo; são as musas que idolatro, o berço que me alimenta; os olhos que já beijei e o suor que me escorre em sangue. Como morador da capital federal brasileira, Brasília, aprendi a cultivar o mar mesmo em solos desérticos. Portanto apresento esta obra para quem não tem medo de cultivar o inusitado, o profundo e até o impossível. Que sejamos sempre água, chuva e lágrimas em terras secas.

R$52,00

_sobre este livro

“[…] que minhas palavras se tornem ossos, e meus ossos, poeira”

Em seu livro de estreia, Kaio de Sousa Ribeiro — pesquisador, professor e poeta brasiliense — nos desvela uma lição sempre tão cara, sempre tão valiosa, ainda que esquecida: como sustentar um corpo quando seus afetos são tão limítrofes? Como se sobressair à margem sem ter qualquer empreendimento com o que é garantido? Sem respostas simples, o poeta nos oferece por diversas lentes essa “poesia de rebento”, esse “quebrar-se em mar”, como se tentasse fazer poesia remontando um caleidoscópio, como se tivéssemos de lidar com um corpo-espuma que insiste em ficar pelas encostas, apesar de ser, vez ou outra, dissolvido pelos outros, pelo ambiente, por si mesmo.

Isso não vem do nada. Poemas como a razão pela qual escrevo: “meu sangue/não sabe/me ler”; “barreiras i”: “[…] mas a decisão/não me pertence/tampouco eu pertenço/a mim [a ti”; ou ainda, “finalmente”: “como pássaros de verão//[…] como uma caverna estufada//[…]como olhos que não enxergam a si//[…]como carnaúbas corcundas” servem de exemplo do compromisso e atenção do poeta em se tentar, a cada vez, mesmo que aos pouquinhos, se (re)inscrever, tendo de partir de advérbios de negação, conjunções comparativas, verbos em formas subjuntivas e pronomes objetos. Tantos recursos, tanta esperança em suas incertezas. Assim como no romance Autobiografia do vermelho, da poeta canadense Anne Carson, Kaio se vale de aspectos mitológicos gregos em suas referências e descrições de devaneios, compartilha com o protagonista do romance, Gerião, o desejo de comunicar sua infância, resvala afetos ainda que instáveis, levando-nos a uma fala ainda crua, direta, pequena… a voz do poeta ora se perdendo, quase pela espuma do mar, ora se reencontrando, em matéria marcada por rastros delicados de seu sofrimento.

Kaio de Sousa Ribeiro nos dá um livro com toda a dualidade e intensidade de um jovem autor, mas com todo o manejo necessário para um bom poema, e deixa claro como crescer, se ver e se entender é essencialmente difícil, como o amadurecimento desconcerta e nos põe em suspenso. Em suas palavras: “nos braços de meu pai/sustentei-me com força/dos seus braços cresci/[não muito”. Ledo engano. São nesses versos “nestes morfemas inundados/a maré/um oásis exclusivo/um oceano de lobas apenas/para quem sabe mergulhar” onde nós mais podemos aprender, basta saber se precisamos, ou não, de escafandros.

Pedro Willgner

Poeta

 

_outras informações

isbn: 978-85-7105-473-8
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 76 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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