O livro das trepadeiras

Disponibilidade: Brasil/Europa

No esforço à procura de luminosidade, são exímias as trepadeiras na criação de caminho e meios de suporte. Como numa parede as trepadeiras espalham-se, cheias de artifícios de sustentação, sobre a página avançam as palavras. Por dentro há uma seiva que as impele e sustenta. De onde irrompe esta seiva que percorre o interior das palavras? Que as trepadeiras inspirem o jardineiro de palavras, para que logre o enleio das suas na página.

 

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_sobre este livro

“A árvore é uma frase com ponto de exclamação, e afirma: estou viva!”
Os poemas não apresentam quebra de verso, quais trepadeiras que se expandem, num movimento contínuo de paixão-observação-envolvimento com as plantas e os seus nomes. Ao subirmos no Livro das trepadeiras apreendemos a composição do que é humano, a nossa natureza construída de tantas e várias matérias — em que a presença vegetal é fundadora de uma realidade absoluta. Qualquer divórcio entre as partes nos deixará órfãos de nós mesmos, órfãos de humanidade, desalojados da nossa casa primeira. A natureza oferece-se ao nosso olhar, tacto, olfacto, com uma capacidade de atração inexplicável, e é nesse inexplicável que radica todo o seu esplendor.
Nestas folhas crescem nomes, nomes que conhecemos, outros não, designações científicas das plantas enxertadas por nomes populares que expõem a sua força iconográfica esteticamente absorvente: ipomeas e madressilva, sapatinho-de-judia, maracujá, glicínia, líquenes, musgo, bromélias, samambaias, cactos, cipó-são-joão, buganvílias (que também são primavera), visgo, ora-pro-nóbis, silvas que escondem oliveiras, dedal de dama, jasmim, Boquila trifoliolada, videira, cuscuta, roseiras (rosas com seus espinhos e ecos de Rilke), Solandra maxima, hera japonesa a crescerem em todas as direções: para a terra, o escuro e a humidade, e para o sol, o céu e a luz.

São eles poderosos porque chamam, atraem tantos animais, como é o caso da buganvília. “Nós, adoradores dos nomes e de os classificar, os chamamos por abelha, zangão, marimbondo, vespa, colibri, melro, andorinha, cotovia. Chamamos estes nomes e mesmo assim estes seres não vêm. A buganvília, alastrando-se ao longo do muro e afora, jorrando como cascata florida, quando chama a esses seres, à sua maneira, é correspondida.” Não basta a linguagem para comunicar.
O livro, na sua última folha, expressa: “Embora das plantas não saibamos decifrar o idioma ou as palavras, o poeta estuda os ritmos e artifícios desta expressão com afinco. Como as trepadeiras, engenha todo o seu empenho e arte, para por métodos diversos verter o que sente em palavras, e estas enlear na página. A palavra do poeta, seu verso, é percurso repleto de pontos de fixação. Visando ascender à melhor luz, é caminho e arrimo, para fixar-se nos olhos de quem percorre a página. O verso que vem do interior do poeta porventura logra enlear-se no íntimo de quem o lê, até amparar-se em seu coração.” No trânsito constante entre poesia e flora, Mauricio Vieira não esquece o que quer como poeta: que o leitor enleie-se em suas palavras.

Elisa Scarpa

_outras informações

revisão: Victor Negri
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5 cm
páginas: 64 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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