O meu berço foi um sobreiro enviesado
que me acariciou o seio inanimado.
Eu, ruína de um monte,
perene ao tempo, espero.
Trago por manto a geada e nuvens,
esburacado o teto.
As ovelhas que passam
alimentam-se das ervas
que me crescem nas paredes.
Depois, muito gordas
a comer bolotas,
que me decoram o chão,
rebolam pelos campos
e transformam-se em cadáveres.
Assim sou eu. E as ovelhas
réplicas sombrias de mim.
Morro com elas.
(Primeira sombra que foge ao sol, pág. 31)