Fantástico cardiovascular

Disponibilidade: Brasil

…mil noites sem estrela, mil bocas sem destino. respiração na curva de um rio onde floresce um coração no breu de uma canção. uma solidão que quem ama reconhece como o próprio rosto ainda que reste a esperança de um laço qualquer, um golpe de sorte. o trabalho do carneador revela antigos manuscritos…

R$52,00

_sobre este livro

Não importa o que os outros estão dizendo, as palavras que elegem para dizer. Augusto Hendricus não usa as palavras como quem diz, mas como quem grafa, grava, imprime, crava, como se a palavra fosse fração de matéria antes de ser instrumento de ideia. E aí sim: um signo leva a outro signo, pede outro signo e pode mesmo implorar por outro signo, já que é o signo mesmo que descobre o drama de seu movimento próprio. Aquilo que ele, o signo, precisa para viver. Para multiplicar sua paixão por, agora sim, ser coisa e fazer o mundo que lhe cabe, e que apaixonadamente poderá extrapolar, verso a verso, prosa a prosa, nos mistérios que esta cosmogonia despertará.

Não será ordinária esta leitura. Nesta primeira coleção de poemas publicada, Fantástico cardiovascular, Augusto introduz a natureza de seu vocabulário, um idioma português paralelo que nasce e morre na luz e nos truques de vista que a luz faz sobre quem vive e sobre aquilo que vive, e que morre para reviver. Brotam jasmins por todos os lados. Prata e ouro são descobertos em meio a sendas, brechas e escombros. O mundo de Augusto tem pele, tudo tem pele no mundo. Tudo há de ser luminescente, mesmo nas noites que recorrem, mesmo com o êxodo que recorre às noites. O autor escreve: “o manto anuncia a graça”, compreendendo que poema é modo de abençoar a percepção — ou de fazê-la sangrar? Gravurista, costureiro, observador e fazedor de artefatos, o Augusto escritor põe-se a si mesmo a tarefa com o objeto letra, cimentado e movediço, que emprega com rara verdade: “nosso destino é lavrar a Pedra, chorar a Pedra, cantá-la, degluti-la, dar contorno ao Verbo.”

E, ao final, ao poema sucumbe: “obsessivo, quero ser seu objeto”. Ainda que elevado pela cruz, aquele que escreve não está a salvo do chão, nem fugirá dele. Deseja-o, obsessivamente: “eu caminhei pela superfície do sol”. Na paisagem concreta o poeta irradia, e faz do andarilho um iluminador de enigmas que vertem a experiência vivida em semiologia e em sêmen. Em Fantástico cardiovascular, o leitor descobrirá um trotamundos que cruza as ruas com ardores, temores e louvores, na altura idêntica que terão um bueiro e o alto de um viaduto onde, igualmente, o autor atesta “corpo e palavra como uma entidade findável, falível e eterna”. Por entre clamores e abandonos da voz-luz que vagueia, Augusto vai pouco a pouco nos conduzindo a poemas-carta que escancaram que o sujeito que vive terá amores e refúgios: “a cidade é muda / o mirante é nosso espaço seguro.”

 

Luís Fernando Moura

_outras informações

isbn: 978-85-7105-485-1
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 52 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

Carrinho

Cart is empty

Subtotal
R$0.00
0