Quando a Molina realizou um voo curto por uma aula de interpretação teatral em 2014, eu estava presente para aplaudir. Onze anos depois, nos reencontramos online — e escritores. Neste seu brilhante Estado de Particular Calamidade, ela revela o segredo que só quem já fez teatro sabe: os deuses estão a um verso de distância.
Na poesia de Molina, até um chiclete amassado no asfalto serve de portal para a Grécia Antiga.
O sublime e o transcendental acontecem no encontro com o cotidiano, longe da Igreja ou de qualquer Instituição Maiúscula.
Molina conhece o tamanho de uma frase. Às vezes, um haicai flutua pequeno na imensidão da página, mas o seu poder de síntese atravessa pior que flecha. É o mais saboroso da poesia contemporânea: a observação lírica da vida convivendo com o desabafo no ponto de ônibus, aquele versinho esquecido no bloco de notas ou uma confissão íntima e cortante.
A relação complicada com a profissão-poeta não fica de fora. Arte, carreira e dinheiro escorregam sem romance nos poemas, o que cria um vínculo honesto com quem lê. Da calamidade, se fez poesia, já dizia aquela passagem bíblica que eu inventei — mas que a Molina inventaria melhor. Mais irônica, honesta e genial.
Aprendo com os deuses.
Moisés Baião
_outras informações
isbn: 978-85-7105-227-7
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 88 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª