Amanhã não seremos dois é um livro breve e profundo sobre a impossibilidade de permanência, sobre o amor como início e ruína, e sobre a ausência como presença contínua. Em poemas curtos, líricos e cortantes, a autora percorre as margens de afetos interrompidos, a memória dos gestos pequenos e o silêncio posterior às palavras que não puderam ser ditas. As imagens do cotidiano — lençóis lavados, corredores de supermercado, o café que esfria sobre a mesa — tornam-se, em suas mãos, signos de uma intimidade ferida, ainda viva. Há algo de confissão, algo de bilhete não enviado, algo de poema-respiro em cada linha. Com estilo fluido e direto, Beatriz Felipe da Rocha constrói uma escrita emocionalmente madura, atravessada por linguagem poética sem ornamentação excessiva. É literatura feita com o corpo.