Teresa Leão


Entre cartas de amor e álibis para me demorar em esplanadas, as palavras habituaram-se a aparecer. Hoje, sussurram a meio do caminho para o trabalho, durante o duche, quando a ordem se desalinha um pouco. Muitas, não as anoto esperançada que sirvam como pistas de transcendência, num outro dia. As que são anotadas suspiram em cadernos, fechadas dentro de uma grande mala de viagem.
Uma pequena fome é o primeiro livro, janela alcandorada de onde elas espreitam. Surge inesperadamente no meio de uma vida cartesiana, de médica, investigadora, professora universitária. Uma ilha-jardim de versos quando o dia é gasto a escrever e a falar, a analisar e a rever, um universo concreto. As coordenadas são do Porto (Portugal), mas as brisas vêm de outros meridianos e paralelos.