Fabiane Albuquerque


é mineira, de Contagem. Nasceu na periferia, morou parte da infância no sertão mineiro, cidade de Corinto. Voltou para as bordas da capital, mesmo bairro, e o encontrou diverso, experimentando mais intensivamente a exclusão social, o abandono e a humilhação de classe. Vivenciou o racismo nas suas diferentes formas e conheceu as artimanhas de dominação do patriarcado, no corpo e na psiquê. Assim como o grande sociólogo Florestan Fernandes, iniciou a aprendizagem sociológica muito cedo, observando o mundo, as injustiças sociais, a falta de poder dos que a rodeavam, e a raiva sem escape, as mortes e a banalidade com que os corpos dos pobres desaparecem, na maioria das vezes, sem deixar rastros.
Descende de gente escravizada, trazida à força para o Brasil, de povos nativos e, infelizmente, de colonizadores que violentaram mulheres. Os seus viveram em fazendas, trabalhando pela subsistência até a sua geração, quando os seus pais se juntaram aos tantos trabalhadores das grandes cidades, em busca de uma vida melhor. Mudou-se inúmeras vezes na infância: periferia, sertão, sertão, periferia, bairro de classe média, Goiás, África do Sul, Congo, de volta ao Brasil, Itália e, atualmente, França. É de lá que escreveu Os meus mortos pedem nomes, ao dar-se conta de que não carrega nenhum objeto de família, não possui jazigos para levar flores aos seus entes queridos, não tem uma casa sequer de herança e, sobretudo, não consegue traçar uma árvore genealógica, pois a ela foram negadas raízes, o direito de saber de onde vem e os nomes dos que a antecederam. Por isso escreveu este livro, com a pretensão de fazer justiça, ou pelo menos, lembrar ao mundo que ela a reivindica. Para si e para os seus.