Rita Jerónimo
Nasci em 1974, o ano da Revolução dos Cravos em Portugal. Deu-me isso o privilégio de ter nascido em liberdade, sem censura de pensamento, sem restrição à expressão desse pensamento. Deu-me isso o privilégio de fazer escolhas. Escolhi muita coisa, mas algo se impôs, mais como necessidade do que como escolha: escrever, escrever sempre. Comecei a escrever a par de ler avidamente, já tardiamente, quando me tornava adolescente. Escrevi sempre como forma de esconjurar medos, ver-me de outros ângulos, entender outras camadas menos visíveis da vida. Este é o meu primeiro livro, feito de poemas que atravessaram comigo os anos. Nasci em Lisboa, mas sou de uma pequena aldeia da Serra da Estrela. Aí, grande parte de mim se fez e continua a fazer. Das escolhas que fiz, fazem parte ter escolhido formar-me em Psicologia, ser professora universitária, investigar os processos cognitivos e neurocognitivos do comportamento social e da linguagem, e experimentar tudo quanto posso (desde o tricot, à dança, ao desenho científico, à música) como forma de exploração de quem sou. Movo-me entre referências diversas, nem sempre convencionais. E tudo isto converge e se sublima no que escrevo.