Exuviae

Disponibilidade: Brasil

Exúvia: a pele abandonada por insetos e répteis após a muda.
Em Exuviae, Kauê Sogari faz da poesia um processo de ecdise: despir-se das camadas mortas para sobreviver. Com precisão anatômica e botânica, o autor disseca corpo e trauma. A linguagem oscila entre o clínico e o místico, entre a liturgia e a autópsia.
Como São Bartolomeu carregando a própria pele, o poeta exibe suas exúvias, não por horror, mas como evidência de uma fé obstinada em existir. O que fica não é a casca morta, mas o corpo novo: úmido, exposto, vivo.

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_sobre este livro

Quem pensa que neste vendaval intitulado Exuviae vai ter um encontro obrigatório com a natureza não se equivoca. Mas não é essa natureza amigável que alegra com suas cores brilhantes, seus raios de sol no rosto, seus perfumes doces vindos de flores delicadas. Também não é aquela natureza que, durante séculos, lutou contra o homem, na literatura, com a hostilidade de seus desertos, com a dureza dos pampas, com a periculosidade da selva e assim por diante. Em Exuviae há uma natureza desconcertante e enjoativa.

E tudo começa com um “Fruto seco”, com um bando de pássaros cadavéricos batendo umas asas metálicas, buscando um fruto podre, e um coro de cantos que agora são gritos rasgados. Há uma natureza que mistura mal-estar e repulsão; que enfeitiça com seus ofídios de olhos tenros e seus beijos que não passam de mortes lentas escolhidas e de ciclos nada alentadores.

Dá para sentir que, muitas vezes, quem escreve é uma navalha e, por isso, é preciso tentar ganhar tempo e fingir a própria morte, deitado numa cama de sal, para evitar a crucifixão transformadora. Mas, lamentavelmente, não é possível. É imperativo sair de si e abandonar a luz da infância, costurar a boca e negar o pão, entender que não há retorno nem esperança possível quando a roupa sufoca. Essa natureza que carrega o livro é implacável, e até o mármore vira lembrança opaca ou correnteza de um rio. É um ambiente de pântanos.

Também está a outra natureza. A natureza humana que, entre todas as misérias, enaltece a insuficiência da inevitável linguagem. A taxonomia falha, a língua que apodrece, a fuga dos fonemas em estado terminal, o substantivo assassino e o verbo que chega ao fim.

E o final da leitura pode parecer conhecido. Pode fazer-se presente a sensação de que muito se perde na travessia, de que ninguém é o mesmo leitor de poesia depois de atravessar o barro. Pode parecer que o melhor foi roubado da árvore da vizinha e que estamos condenados a um desejo que apodrece numa falsa saúde. Só pode parecer, pois a ideia de que tudo voa em estilhaços é humana, e a natureza é e existe sem olhar nem ouvir misérias humanas.

Por isso, quiçá nada do dito ou escrito seja assim. O nascimento e a morte nos ignoram.

Por isso, a mesma obra que apodrece uma fruta tem que reconhecer que, ainda, nos galhos, penduram-se frutos para o primeiro pássaro que ousar voltar.

Santo Gabriel Vaccaro

_outras informações

isbn: 978-85-7105-471-4
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5cm
páginas: 76 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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