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Todo mundo slam — uma antologia

Disponibilidade: Brasil/Europa

Alex Esperança | Ana Mendes Garcia | Dara Gabriele | Délcio Silva | Edson Kiala Felipe Castro | Felipe Maciel | Leonor Ribeiro | Margarida Lehrfeld | Maria Lemos Costa | Pedro Ascenso | Sílvio Aaron | Zé | Zeus Atro

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_sobre este livro

Muito já foi dito sobre a língua enquanto elemento fundamental na criação de identidades: território comum no qual se ancoram noções de saber, cultura e nacionalidade e a partir do qual redes e normas se consolidam.
Também algo já foi dito, ainda que com menos frequência, sobre as conjugações entre língua e poder: a imposição de idiomas como ponto nevrálgico do projeto colonial e do epistemicídio moderno.
Como proferiu Barthes, toda língua é fascista. Não tanto por aquilo que silencia, mas por aquilo que nos obriga a dizer. De modo que, para mim, o português é incontornável.
Nesta língua, sonho, fabulo, maldigo.
Assim sendo, de que maneira seria possível escapar a tais imposições? Como criar fissuras, torções, pontos de fuga naquilo que nos estrutura tão intimamente?
Como o filósofo francês, também acredito nos modos de espanto e deslocamento linguísticos provocados pela literatura; ainda mais quando embalada em contextos coletivos e permeada pela fala, pela voz, pela pluralidade.
Desta aposta, surgem experiências poéticas como o Todo Mundo Slam: microfone público que congrega as singularidades em um momento político marcado de interdições e horror à diferença. Das rodas de competição para as páginas deste livro, estes poemas se apresentam antes de tudo como irreverência, convite para escavar a língua e nela descobrir outros sentidos.

Luiza Romão

Pois não basta que a palavra seja sentida, escrita ou imaginada
Precisamos dela viva, metamórfica, cíclica
e abaulada
Quebrante, impura, rouca e desafinada
Para descrever o mundo e a nós mesmos, precisamos que a palavra seja falada.
Longa vida aos poetas dos gritos ao vento
Da poesia das avenidas e becos
Da língua sem fronteiras
Das mentes abertas nas mais loucas maneiras e vibes
Da magia que só acontece nos open mics
Longa vida aos palcos feitos de corpo
e comunidade
À crítica social que reclama em versos o regresso da irmandade
Longa vida aos poetas da poesia da verdade
Que tecem na voz curativos para a feia realidade
Que dizem, gritam, cantam e choram a face
que o mundo esconde velada
Longa vida, camaradas!
Longa vida, camaradas!
Longa vida, artesãos da palavra falada!

ElisRita

_outras informações

isbn: 978-989-9348-38-7
revisão: Victor Negri
ilustração da capa: Gonçalo Antunes
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5 cm
páginas: 78 páginas
papel offset ahuesado 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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