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Epitélio

Disponibilidade: Brasil/Europa

A corda que enforca a garganta
é uma alga-de-sal,
azuleja a língua dos amantes
e cinzela a pele fria de cal.
O meu coração…
é uma antena sensorial,
cintilação que cai para os lutos.

(Litania, página 74)

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_sobre este livro

Aproximo-me deste livro como quem se aproxima de uma pele que não é sua. Antes de tudo, uma advertência: não lhe acrescento nada, senão a possibilidade de um sopro que, quem sabe, talvez arrepie.
Com Epitélio aprendi que os tecidos do corpo também se desdobram em poesia. Afinal, não nos torna isso, finalmente, mais humanos? Com a escrita da Raquel Rubus aprendi que a biologia responde sim às metáforas — “[…] a carne aberta ao verbo”. É verdade que, como nos diz Paula Godinho, “o impossível demora mais”, mas não estaremos já tão perto que quase o sentimos? Pelo menos, é isso que Raquel nos faz querer quando nos fala abertamente de Maria Teresa Horta e Sophia de Mello Breyner Andresen, ou indiretamente nos remete para um verso de Vasco Gato, uma canção de Sérgio Godinho — “Preciso de ser outros”. Mas não se deixem enganar, não é só de referências que se faz esta poeta. A sua voz pestaneja sobre a imagem que constrói como o voo de um pássaro “fora do bando”. A sua escrita é a membrana que protege o sangue vivo que habita debaixo da crosta. O sangue que partilha em palavras.
Raquel Rubus permite a saudade do sabor das maçãs que só existem nos quintais das avós, do sentimento irrepetível do deslumbramento, “como quem vê o mar/pela primeira vez”, e do mistério das constelações. Nem sempre inteira, mas apaixonada por inteiro, a poeta une fragmentos de tempo, de espaço e de corpo, para que nos possamos, por fim, render ao que realmente importa: “àquilo que cresce de dentro”. Em Epitélio encontramos o luto como semente, a queda como promessa, a natureza como tradução da única vida possível: somos de tudo um pouco. Nestas páginas aceitamos, com amor e resignação, a imperfeição como mote para o futuro. Ler este livro é como reaprender a andar a pé — esse ato “tão antigo” de que não nos livramos —, mas é em verso que caminhamos. Lentamente e sem pressa, vamos longe o suficiente para contemplar a fachada e regressamos, no mesmo passo, para assimilar o interior. Concluímos, então, que desatar ou persistir são, no fundo, a mesma coisa.

Sara Duarte Brandão

_outras informações

isbn: 978-989-9348-15-8
revisão: Juliana Palermo
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5 cm
páginas: 116 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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