Grisalhos

Disponibilidade: Brasil

Grisalhos encara o possível incômodo de um tema polêmico: no ainda preconceituoso 2026 — que assiste, pasmo, à luta para banir ou, ao menos, reduzir ao mínimo civilizado a visão de mundo patriarcalista do país e do mundo —, a presença de um livro clara e integralmente dedicado ao amor homoafetivo, aquele de que não se
costumava dizer o nome até o final do século xx. Diante de um período tão sensível à diversidade e, ao mesmo tempo, tão intolerante às diferenças, talvez faça sentido um livro demarcado não apenas pelo amor entre iguais,
com todos os seus nomes, mas também por sua dimensão antietarista.

R$54,00

_sobre este livro

Eis Grisalhos e, como sugere o título, uma obra senescente do mais que ciente poeta Paulo Roberto Sodré da sua bioficcionalidade. Autor de longa data em poesia e prosa, a verificarmos, ambas porosas. Deixe-me explicar, com todos os poros à prova, ao sabor do tempo das personas e dos leitores, a saberem do autor ludo. Este que nos dedica, por vezes, cheio de dedos; sempre, de língua, predominantemente portuguesa, seu amor pela vida. Assim, vai transpirando em frentes e versos ternuras homoafetivas, a demonstrarem elas que para tanto toda idade é de ouro, desconsiderar isso passaria a ser alguma coisa de muito tolo. Aproveitemos então esta orelha para sussurrar nela algum de seus quase degredos:

“O peso dos dias de espera,

o ardor das horas de imaginação,

o áspero das vezes de insônia:

tudo escorre corpo idoso afora

quando as digitais dos seus lábios

marcam os recantos do meu nome

todo entregue para sua caça

aos meus arrepios todos em murmúrios”

Sussurros, murmúrios; quiçá: gemidos, grifos, acompanhados de espasmos voluntariosos, estão aqui para lá de sugeridos, mesmo em templos de tantas proibições, ódio e rancores com relação a sentimentos sentidos, ainda que somente pela imaginação, tão vital para o desejo, pelejante, a locupletá-la. porque não lhe faz jus nenhuma mesquinhez. Se há algo entre nós que realmente pode romper todos os limites é o pensamento. Por meio dele podemos possuir qualquer coisa e também nos tornamos possessos para além das convenções e aquém das margens: “serei, serei, serei leal contigo, quando eu cansar dos seus seixos lhe digo!”, diria o cantor popular!

Há muitas camadas a serem transpostas e transportadas pelas páginas presentes, entre a tez e o tesão em lê-las. Venham conosco nessa lida a desfilar com os rapazes que nelas estão, quando cada nome ou desnome sugere lascivos percursos delineados pelo poeta, de alegres a alegóricos. Queer+: não sei se o mundo é gay, mas sei que ele não cabe num armário. Assim sendo, não temos como não nos sentir parte do intento, atento a cada minúcia, buscando um todo pelas partes postas nem tão particularmente num labirinto de sensações, isentas de heterotoxidades, ainda que possa parecer a alguém aqui haver um certo lugar de falo, à maneira formal de uma cantiga de amigos:

“Ai eu, cativo, arreitado, idosado,
numa aula em forte dia o vi,
desde quando não me deito sem aspirar, eu
que vejo seu pau azeitar de porra o paulino anel:
em forte dia o vi barbudo
e cheio de porra para servir!”

Peita, por ora cheguemos de transbordamento!

Pedro Gazu

 

_outras informações

isbn: 978-85-7105-510-0
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 14x19,5cm
páginas: 108 páginas
papel pólen 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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