Assovio

Disponibilidade: Brasil/Europa

Há tantas flores aqui.
Eu e você somos homens que adoram jardins.
Homens que gostam de pôr os pés na terra.

Arruda e liamba derramadas sobre as nossas cabeças,
a janela aberta toda para Olinda.

Os blocos de frevo passando inocentes lá fora.

(Ervas de cheiro, página 23)

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_sobre este livro

“Escrever é transcender a si mesmo para chegar a ser quem se é, mas ainda não se sabe”, disse a escritora argentina Sara Gallardo. É o que faz João Pereira Vale Neto neste seu Assovio, coletânea com 134 poemas que revelam, nos seus diferentes tons e registros, uma busca incessante por si próprio, um eu verdadeiro e ainda desconhecido — do qual o leitor se aproxima e depois se afasta.
Como numa dança, somos convidados a acompanhar o ritmo e o corpo dos textos: “Até que a lágrima acabe, ninguém sai dessa pista/ Dançamos juntos”, escreve João. Nesta dança, entre o mundo interno, do autor, e o externo, trascendemos com ele. Os corpos ocupam um território familiar — Recife, Olinda, Porto, ruas, parques, praças, sonhos —, e mesmo num terreno conhecido é possível se perder. Depois nos situamos outra vez: também nisso consiste dançar.
Transcender, aliás, é a palavra certa para tratar de vários dos textos que você, leitor, tem em mãos. Ao eu, aqui, é permitido tornar-se outro: “virei uma górgona, passei a gostar de assustar todo mundo”; “Virei esse homem, meio bicha/ Meio máquina/ De exibir filmes”; “Eu me via como Afrodite selvagem e gorda/ Cheia de risos/ A caverna dos segredos” – são pistas dessa transcendência. Para chegar a ser quem se é, João parece nos dizer, é preciso transmutar-se em outros seres. Em Assovio, aquele que fala (estamos prestes a conhecê-lo) está em constante transformação.
Também a voz de João se metamorfoseia em outro som. Ao longe, ouvimos ecos de um assovio. No poema “Busca” (que também poderia ser o título de uma seção inteira deste livro), escreve o autor: “Eu corri uma serra inteira em busca desse assovio/ E ele não estava lá/ Que estranho é gostar de alguém”. Assovio-afeto formam a caixa torácica do poema, que expande e se contrai diante dos nossos olhos e ouvidos.
O dueto é retomado mais adiante no livro: “Quando precisar, assovia”. E, nós, leitores, assoviamos. Sinalizamos, sem saber por que o fazemos, que precisamos. Queremos seguir a voz, transcender com ela. “Sim, quero que cada leitor receba esses poemas secretando algo”, deseja João, a certa altura. E por diferentes que sejam os segredos, a depender de quem lê, nós os escutamos e lhes damos nossa própria forma. É também isto que faz a poesia: devolve-nos a nós mesmos.
Agora abra esta caixa de sapatos — imagem que percorre todo o livro, indício daquilo que coletamos, guardamos e escondemos — e veja o que tem dentro dela. Seja por um instante o eu e o outro. Apaixone-se, se possível. Porque o Assovio de João é sobretudo sobre isto: o percurso de um amor.

Leonardo Piana

_outras informações

revisão: e. a. meneghin
isbn: 978-85-7105-400-4
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5 cm
páginas: 168 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2026
edição: 1ª

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