Pesquisa poética de vida com janelas abertas

Disponibilidade: Brasil/Europa

Tem paredes de cal e sol dançando na cal, e notícias de festa em todas as páginas do jornal. Não há dores de joelho nem chuva no Natal. Engole-se a maldade com o pão, e o pão nunca se conta a menos dos que se precisa de contar. E quando dizemos “até à próxima”, nunca é um adeus para tão longe assim, e tudo o que é esquecido é perdido por bem,

foge apenas para adoçar o seu voltar.

(O lugar mais seguro do mundo, página 20)

R$50,00

_sobre este livro

O bule de chá e a chuva guardam
escoam e sopram os fumos da memória.
e depois passa. Assim se fazem as tréguas
com o que foi e o que será.
Chega-se a casa. Constrói-se a casa como
uma história que é contada: era uma vez,
felicidade sempre.
Felicidade, pelo menos uma vez.
Lava-se o bule, limpa-se a verdade das janelas
e convida-se o ar fresco a entrar.
Nas ruas, quem caminha segue rotas mil-vezes traçadas, e refaz-se de novo sob uma luz que sempre se multiplica. O espaço doméstico não consegue escapar da sua qualidade de lugar-cidade, a alma foge e retorna à sua condição de corpo domesticado.
E, no entanto, entre todos os lugares do mundo, existe sempre o espaço da memória, mais real do que os outros.
Pesquisa poética de casa com janelas abertas é um estudo sobre o ato da atenção. A atenção faz os dias e os lugares, constrói a poesia de todas as pequenas coisas.
Entre revolta e desapego, estes textos são um retrato da tensão interna do pós-quarentena. Todas as referências familiares transformadas (reveladas) em pontos de pressão.
A objetificação do próprio espaço-tempo permite fantasiar, caminhar entre projecções, capturar autoridade sobre a linguagem como instrumento de análise do Antropoceno. A materialidade dos objetos e as irrealidades da memória coexistem num único espaço, por vezes num único instante. É essa faísca que o poema olha de soslaio, sem segurar com tanta força que fuja.
E, no entanto, o convite que o mundo nos faz de o ocupar é algo solene, repleto de rituais. Todas as coisas comuns são, pelo menos uma vez na sua existência, capazes de produzir ternura. Este livro é um inventário de afetos e olhares, faz-se relato de um passado possível.

_outras informações

revisão: victor negri
isbn: 978-85-7105-336-6
idioma: português
encadernação: brochura
formato: 13x16,5 cm
páginas: 96 páginas
papel polén 90g
ano de edição: 2025
edição: 1ª

Carrinho

Cart is empty

Subtotal
R$0.00
0